Durante a edição de
ontem do programa “Turfe Esporte”, levado ao ar pela TV Jockey, em São Paulo, tendo como apresentador o repórter
Jair Balla, um telespectador formulou a seguinte pergunta, direcionada a Gabriel Meneses e Ricardo Ravagnani: Quem
ganharia um mano a mano entre Dono da Raia ou Top Hat?
Enquanto Gabriel e Ravagnani comentavam que
vários fatores precisariam ser analisados, principalmente a distância, o treinador João Macedo, de Top Hat, entrou
no ar “ao vivo” e, dizendo–se frustrado por saber que (como Dono da Raia não correrá mais no Brasil) novo
confronto em competição era inviável, lançou um desafio entre os cavalos, acrescentando que os responsáveis por
Dono da Raia poderiam escolher a distância.
João Daniel Tikhomiroff, um dos titulares do Stud Mictik,
escreveu a Jair Balla, autorizando a publicação no Raia Leve. Eis a íntegra do texto:
Caro
Jair,
Tomei conhecimento do "desafio" levantado no programa da TV Jockey pelo
treinador
do animal Top Hat. Pensei em não comentar o assunto, de tão patético – mas não resisti.
Isso me
lembra muito o filme "Amadeus", na cena onde Salieri, doente de inveja de Mozart, já velhinho, tentava
fazer as pessoas se lembrarem de suas "famosas" composições, cantarolando trechos, e nada. Até que
cantarola uma que, para alegria do constrangido interlocutor, é reconhecida: "essa sim!", imaginando ser
de Salieri, mas era de Mozart.
Primeiro, gostaria de dizer que, por amor ao cavalo, traçamos a
campanha de Dono da Raia com todo o cuidado que um cavalo de exceção deve ter. Correr pouco, preservá–lo, escolher
sua distância ideal etc. Até mesmo a sua desistência do Arco do Triunfo foi um ato de responsabilidade e respeito
ao futuro tão promissor do "Cavalo do Ano".
Top Hat, bom cavalo, teve duas chances
contra o Dono da Raia, nas duas mais importantes provas do turfe brasileiro, os GPs São Paulo e Brasil: perdeu as
duas. Se tivéssemos que dar chance a algum cavalo, teríamos que proporcioná–la aos que fizeram segundo, terceiro,
quarto... etc nas duas provas, antes de qualquer outro. Mas todos tiveram a sua chance. E em respeito aos demais
bons cavalos que Dono da Raia enfrentou, este desafio não tem o menor cabimento.
Mas respeito,
também, Top Hat, um bom cavalo, que poderá dar muitas alegrias ao Stud JCM que tanto investiu, há anos, para
tirar um ganhador de Grupo, e que merece todos os aplausos. Certamente, seu proprietário, de quem desfruto da
amizade e estima, não tem qualquer envolvimento neste inusitado fato. Mas, se o treinador quiser outra chance, é
só levá–lo para Dubai ou outros hipódromos pelo mundo, onde poderá encontrar Dono da Raia inscrito em algum Grande
Prêmio, para ajudar a elevar ainda mais o turfe brasileiro.
O sucesso de Dono da Raia já
atravessou todas as fronteiras, e há muitos anos não temos um ídolo como ele. Os últimos foram Much Better e Quari
Bravo, o “Furacão de Prata”, que tanto admirei.
Mas tenho a convicção de que os
turfistas de São Paulo, incluindo os responsáveis por Top Hat, que tanto carinho e admiração demonstraram pelo
Dono da Raia, darão a resposta no próximo sábado, aplaudindo a despedida nas terras brasileiras de seu ídolo, como
o jornal "O Globo" descreveu em sua vitória no GP Brasil, "O Show do Dono de todas as
Raias".
João Daniel Tikhomiroff
Stud Mictik