Proprietários deveriam fiscalizar o penetrômetro 12/08/2014 - 07h39min
Há muitos anos, causa polêmica o assunto medida da raia de grama através do aparelho denominado penetrômetro. No meu início de carreira jornalística, os comissários de corrida – vale registrar que havia sempre algum de plantão, pela manhã – solicitavam aos principais jóqueis que galopassem na grama para avaliar suas condições. A medição era importante, mas não era o único fator levado em conta para determinar a pista do programa. O nível técnico das corridas e o prejuízo de proprietários, turfistas e profissionais também eram considerados. No final, a decisão era dada de maneira a não contrariar o bom senso. Era comum, na decisão sobre qual raia seria liberada, a participação de jóqueis famosos como Gabriel Meneses, Juvenal Machado da Silva e Jorge Ricardo.
No último sábado, mais uma vez a decisão sobre a raia foi um absurdo turfístico. Um tiro no pé. Ora, amigos, uma chuva sem intensidade elevou o nível do penetrômetro para 5.0 (medida esta que há menos de um mês, com o critério que era utilizado, seria baixada para 4.7) e fez com que fosse dada a raia de areia em oito dos dez páreos, sem levar em conta o excelente nível dos páreos. No dia seguinte, a medida da raia baixou para 4.6 e a reunião tinha nível técnico inferior. A corrida de sábado sofreu baque doloso na ótica de qualquer observador imparcial. Por que a Associação de Proprietários de Cavalos de Corrida do Rio de Janeiro não solicita ao Jockey Club que um representante da entidade acompanhe a medição pela manhã? Seria uma iniciativa democrática e favoreceria a todos. Até o Jockey Club ganharia com isso. Não haveria dúvida da lisura das decisões e não ficaria no ar quaisquer tipos de suspeitas de privilégios para este ou aquele.
Toda vez que a decisão sobre a raia é polêmica, proprietários, treinadores e jóqueis me procuraram e pedem que eu escreva uma crítica à decisão dos comissários de corrida. Esa semana, aconteceu novamente, mas não pretendo voltar mais ao assunto. Qualquer proprietário de puros–sangues que se sinta prejudicado tem maior interesse do que eu no que se refere à definição da raia. E, com certeza, sua voz tem muito mais chance de ser ouvida, através de um protesto da própria associação. Para quem paga trato todo fim de mês, vale a pena fiscalizar a medida da raia e o cumprimento do horário oficial da medição.
por Paulo Gama |