Com direções precisas, resultados inquestionáveis e vitórias sistemáticas, a nova safra de aprendizes radicada no Hipódromo da Gávea tem dado enorme calor nos jóqueis experientes e consagrados. Virou lugar comum, sobretudo nos páreos disputados à noite, a hegemonia dos garotos. Com infraestrutura dinâmica e funcional, a Escola de Aprendizes do Jockey Club Brasileiro disponibiliza para os novos valores um picadeiro (para exercícios técnicos), sala de aula (para projeção de vídeos das corridas), refeitório (com nutricionista) e orientação educacional e psicológica para os adolescentes.
Os expoentes da nova safra são: Bernardo Pinheiro, 18 anos, o madrugador da turma, pois é sempre o primeiro a chegar à raia para trabalhar, antes mesmo de a pista ser aberta às 5 horas da manhã; Igor Ribeiro Mendes, 18 anos, um dos preferidos dos treinadores cariocas e a sequência de vitórias explica a procura por seu serviço nas montarias; o pequenino Wesley Cardoso, 18 anos, faz parte do trio mais requisitado da escolinha de jóqueis; e o pernambucano Alan Maciel, 16 anos, que apesar de ser o mais jovem entre as revelações, possui mais experiência do que os colegas.
Maciel teve oportunidade de montar contra jóqueis em Recife, de onde veio precedido de grande fama. O excelente resultado contra pilotos com longos anos de carreira fez com que os responsáveis pela escola lhe dessem descarga de apenas dois quilos, ao contrário dos demais, que começaram na Gávea com descarga de quatro quilos. Bernardo Pinheiro chama atenção pela perspicácia para escolher as montarias e interesse absoluto pela profissão. Parece ser o mais focado da tropa. Wesley e Igor são jovens de bom temperamento, mas sem tanta malícia. Alan Maciel é o mais tranquilo. Muito jovem e talentoso, tem aquele ar juvenil e despreocupado de quem sabe que vencer na carreira é apenas questão de tempo.
Acompanhados bem de perto por Marcello Cardoso, jóquei consagrado e com vitórias em quase todos os páreos importantes do calendário turfístico nacional, os meninos demonstram grande admiração pelo instrutor, que até bem pouco tempo duelava na raia com eles. Marcello, de temperamento tranquilo, tem paciência com os garotos, mas exige disciplina e correção no dia a dia. Procura chamar a atenção de todos para as possíveis armadilhas de uma profissão que, além de difícil é perigosa. Os temas principais são sempre a necessidade de levar uma vida regrada, sem excessos, e cuidar de maneira ininterrupta do peso. A profissão de jóquei pode ser longa e proveitosa, se o indivíduo não abusar da vida noturna e ficar longe da bebida e das drogas. Mas pode ser abreviada rapidamente caso o jóquei deixe de lado os cuidados inerentes à profissão. Ou seja, acordar cedo, manter peso leve e preparo físico impecável para conduzir um bólido de quatro patas finas, pesando meia tonelada e correndo a mais de 60 quilômetros por hora.
por Paulo Gama