(*) Grama é melhor do que areia
Esta semana, vamos ter grama, se São Pedro assim o permitir. E isso é motivo de muito agrado para os turfistas. Uma corrida na grama é muito mais interessante e não traz os problemas da pista de areia. Nesta, basta que fique pesada para todos os cavalos serem levados para a grade de fora, o que torna o espetáculo monótono e desinteressante.
Para a grama é mais difícil fazer prognósticos. Leva vantagem quem tem um QI mais elevado. Além do mais, não são todos os jóqueis que correm bem neste terreno. Alguns levam muito tempo para aprender. Ricardo foi um deles. Perdia corridas sem nome, com a mania que trouxe do Sul – e de todos os jóqueis gaúchos – de entrar desgarrando na reta final. E com isso lá se iam as barbadas. Pouquíssimos animais atropelaram por fora, em nosso gramado. Se eu vi seis ou sete, em 50 anos, vi muito.
Ainda na semana passada, falei do Stryke, que realmente veio bem por fora. Recordo uma vitória do “churrasqueiro” Cipriano de Souza com um cavalo do Gonçalino, páreo de mil metros, também colado à grade de fora. Em outra oportunidade, Órfão passou por baixo do quiosque dos juízes de chegada, que não o viram ganhar. E mais um, no caso, uma, La Fontaine, égua de linhagem maravilhosa importada pelo Dr. Peixoto de Castro. Numa grama encharcada, ela veio forte, além do meio da raia, e ganhou fácil.
Mestres da grama foram Irigoyen, Marchant, Rigoni e, atualmente, Goncinha. Tudo isso me veio à cabeça pela grama programada para esta semana. Vamos ter melhores rateios, disputas acirradas e alguns resultados inesperados. Não por má fé, mas porque a raia de grama costuma pregar peças.
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Muito comentada a estreante Adige na prova das éguas, o GP Ministério da Agricultura. É uma égua grande, que deu um show na penca gaúcha, baixando de 40s os 700m, recorde difícil de ser confirmado. Se não tiver problema de aclimatação, é uma vencedora muito provável. Vou observá–la. Chegou dia 6, pela manhã, acompanhada do treinador Girceu Lopes e do jóquei J. G. Dutra. Veio toda a caravana, o que há muito não acontece com um cavalo gaúcho.
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Quando correu o primeiro páreo de sexta–feira, só o repórter que vos escreve estava sentado em uma mesa. As outras todas, vazias. Foi assustador.
(*) Texto publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980, por Heitor de Lima e Silva, o Bolonha.
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