O páreo de meia hora (*)
Transmitir corridas é muito mais difícil do que se pode imaginar. Embora comentando desde 1950 pela Rádio Continental e, depois pela Jornal do Brasil, passando a seguir por outras emissoras, nunca tive o menor gosto para transmitir. Por maior que seja a experiência do locutor, na menor distração ele cai do cavalo. E, sempre antes de páreos numerosos, seu coração bate mais forte, há um nervosismo mais acentuado do que o normal. Creio até que não é bom para o coração o estresse que tem o locutor de corridas.
O Oscar Vareda, que há tantos anos transmite as corridas, começou muito mal. Na estreia, calou–se um pouco antes da entrada da reta, quando Mistinguete vinha na ponta. Virou–se para mim, que estava ao seu lado, e disse: “Não dá”. Quem acabou o páreo fui eu, sem a responsabilidade dele.
O falecido Oduvaldo Cozzi, o melhor de sua época, foi transmitir uns páreos num domingo do Brasil e não passou no primeiro teste. Enquanto as fardas apareciam pela reta oposta e grande curva, tudo bem. Quando os cavalos “adentraram” a reta, como ele disse, acabou sua única fonte de referência e ele se calou. Procurou auxílio do que estavam por perto e não teve.
Raul Longras, outro excelente locutor, sofreu o mesmo problema. Mas com mais malandragem que o Cozzi, veio trazendo os cavalos na conversa e esperou que aparecesse o marcador. Na época, não havia rádio de pilha para conferir e o páreo durou meia hora. Longras não quis narrar a carreira seguinte.
Domingo, a emissora oficial do Jockey Club ficou sem locutor. O Vareda estava de férias e o Ernani, com problemas de família (morreu a sogra). Então sobrou para o Sergio Rezende a transmissão da tarde. Embora uns e outros chegassem até nós para reclamar, o que eles queriam? Para nós, ele deu conta do recado. Não poderia fazer melhor. É o caso de dizer aos que reclamam: “Vai lá”.
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Um final que só mesmo a pista de grama pode proporcionar foi o do Grande Prêmio dos potros. Cateto, Rimmel e Hauch terminaram emparelhados, depois de uma luta de 300 metros. E se o Maraco não fica parado, seriam quatro a brigar. O público recebeu com muitas palmas o resultado.
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Núbio Flores assumiu a direção da Escola de Aprendizes na manhã da última segunda–feira. Estive lá ouvindo a despedida elegante do índio da Costa e as promessas do novo diretor. Que tenha sucesso.
(*) Texto publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980, por Heitor de Lima e Silva, o Bolonha
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