Pouco mais de 24 horas depois da vitória de Bal a Bali no GP Brasil e a confirmação da qualidade excepcional de seu cavalo, Alvaro Novis diz que a ficha não caiu, e a emoção ainda está nas suas palavras. E também na lembrança de sua filha Duda, de 14 anos, maior incentivadora e responsável direta pela sua permanência no turfe, que no momento do páreo embarcava no aeroporto do Galeão para a Suiça, onde vai estudar. “Ela ouviu o páreo pelo telefone, no aeroporto, e as amigas filmaram “a cena”, foi incrível. Não conseguimos mudar o vôo para segunda–feira, e foi uma pena que ela não estivesse no hipódromo. Mas levamos uma foto dela conosco para o pódio, foi emocionante”, conta o pai coruja, que tem outra filha, Maria Antonia, de 4 anos.
A vitória no GP Brasil significou um grande alívio e uma alegria sem tamanho. Embora fosse esperada, e levasse muita fé no cavalo, a pressão era muito grande. “Bal a Bali ficou praticamente um mês sem fazer nada, depois do cancelamento da negociação com os americanos, ganhou muito apertado na preparatória e muita gente começou a falar que ele não conseguiria”.
A tranquilidade só veio na terça anterior ao páreo, quando o treinador Dulcino Guignoni atestou, no apronto, a excelente forma de Bal a Bali. “Ele me ligou e disse que o cavalo estava pronto e que iria ganhar.”
E faz questão de ressaltar que o esquema vitorioso do Stud Alvarenga se deve graças aos profissionais de alta qualidade . “ É o motivo das vitórias; os resultados são em função da equipe”
Novis diz que ainda não conseguiu pensar sobre o futuro de Bal a Bali. Ele está inscrito na Breeder’s Cup, nos Estados Unidos, em 1 de novembro e existem interessados na sua compra. “Não é simples levar um cavalo pra lá; tem o avião, precisa de um tempo de adaptação que não sabemos qual é, enfim, é difícil. Mas terei que tomar uma decisão nos próximos dias”.
Maior proprietário do turfe nacional atualmente – tanto em quantidade como em qualidade –, o titular do Stud Alvarenga passou, em poucos anos,do desgosto à glória com o turfe. Em 2010, estressado com os problemas do Jockey Club Brasileiro, decidiu vender todo o plantel. Foi sua filha Duda, apaixonada por cavalos, quem o convenceu a voltar atrás da decisão. “Os problemas políticos do Jockey são muito difíceis, mas a Duda me pediu para reconsiderar e resolvi não fazer nada”.
Os problemas do JCB continuam e, segundo ele, o clube está cada vez mais dividido entre turfistas e desportistas da Sede da Lagoa, que tem interesses opostos. O clube hoje tem muitos sócios e uma sede pequena, poucas quadras tênis de tênis, poucas piscinas, pouco tudo. O problema é que o turfe foi o início de tudo no Jockey, é a razão da sua existência e também reclama. O turfe quer mais prêmios, mais tudo. É muito difícil administrar isso”.
Perguntado se algum dia pensaria em se candidatar a presidente para tentar resolver essa “pendenga”, ele foi taxativo: “Menor possibilidade. O presidente do Jockey tem de ter tempo disponível e muita paciência para administrar vaidades. Alguns ali têm o rei na barriga. Ainda sou muito novo pra isso”, desabafa.
Novis não se envolve na política do clube, diz que é amigo da atual diretoria e dá palpite quando pedem. “Já fui convidado e não aceitei participar da diretoria. Então, não acho justo ficar criticando; falo quando alguém me pergunta.
Mas ele não concorda com a atual política de expandir a área de entretenimento sem qualquer vantagem para o turfe. “Não é possível que um restaurante como o Rubayat – que vai abrir em breve no espaço da antiga garagem – não tenha tvs que mostrem as corridas e máquinas de apostas. O licenciado deveria ser obrigado a colocar máquinas e pessoas para ensinar os frequentadores a jogar. Veja o Palaphita (restaurante que funciona no antigo bar dos profissionais): vive cheio, fatura alto, mas não vende uma aposta. Para o Jockey, nada. O clube aumenta o faturamento e fica satisfeito com isso, não agrega nada ao turfe. Acho que não está certo.”
A falta de patrocínio para o turfe brasileiro é uma coisa que intriga Novis. “O mundo inteiro tem altos patrocínios e aqui no Brasil não se consegue. Não entendo o que acontece, não sei o que falta. Lembro que ganhei o GP Brasil em 2001, que foi o último patrocinado pela Visa. Essa empresa deixou o turfe no Brasil e continua patrocinando em vários lugares do mundo. Gostaria de perguntar ao diretor de marketing dessa empresa o motivo dessa atitude”.
Ele cita o recente GP Brasil para reclamar da falta de patrocínio. “Às vésperas da Copa, nada foi feito para juntá–la ao nosso evento. Tivemos mais um GP Brasil sem empresas. Realizamos o GP Presidente da República, o Cidade Maravilhosa, outro páreo em homenagem ao Estado do Rio e nenhuma autoridade apareceu, nenhuma. Não entendo o que acontece”, diz, acrescentando que desconfia que um dos problemas do turfe possa ser a concorrência da Caixa Econômica Federal nas apostas. E logo propõe uma solução.
"Talvez os agentes credenciados possam vender loterias da Caixa então ela se tornaria uma parceira. Não sei se isso já foi pensado, ou tentado, mas poderia ser um caminho”.
Se resolver esses problemas parecem difíceis, Alvaro Novis aponta outro que só depende de boa vontade dos responsáveis do JCB. “Ontem, na tribuna de honra, era quase impossível apostar. Não dava para sair do camarote e caminhar até os guichês e não tinha ninguém com uma máquina circulando pela área. Posso garantir que, só no meu camarote, o Jockey perdeu uma boa quantia. Ninguém que estava lá apostou por causa desse problema. Uma pena”.
Transcrito do blog http://www.bolaetc.com/
Ester Lima