Hoje de manhã, no Centro de Treinamento do Vale da Boa Esperança, em Itaipava, todos os cavalariços, escovadores e funcionários estavam leves e descontraídos com o êxito de Bal a Bali, do Stud Alvarenga, no Grande Prêmio Brasil. Dulcino Guignoni, entretanto, já estava na raia desde cedo, totalmente focado no trabalho. Observador e detalhista, Guignoni acompanhava cada movimento de seus pensionistas na pista e orientava os jóqueis sobre a maneira como queria que fosse feito cada exercício, desde uma simples partida curta até um trabalho de distância. Pentacampeão do Grande Prêmio Brasil, Guignoni admite ter vivido momentos de tensão na corrida de reaparecimento de Bal a Bali. Mas, com relação ao desempenho do craque na maior prova do turfe nacional não tinha a menor dúvida do triunfo.
“Na prova preparatória, o cavalo estava longe do ideal. É claro que não era um páreo importante, mas o craque tem sempre a responsabilidade de ganhar e não decepcionar os fãs. Ele venceu na raça e na classe, mas com apenas 70% do verdadeiro potencial. No Grande Prêmio Brasil, a situação era outra, pois havia recuperado o melhor condicionamento. Aí, é difícil ser derrotado, tem muita classe”, conta orgulhoso.
Guignoni já havia sido favorável à negociação do craque para o Exterior, por considerar que seria uma importante oportunidade de representar bem o turfe brasileiro. O negócio não progrediu e, com isso, Guignoni conquistou mais uma vitória na prova mais importante e tradicional do País. Agora, Guignoni volta a se mostrar um profissional desprendido e apoia inteiramente a ida do craque à Breeder’s Cup, no início de novembro, nos Estados Unidos. “Se tudo correr bem na viagem e não houver problema de aclimatação, tenho certeza de que Bal a Bali representará muito bem o turfe brasileiro”, confia.
Com relação à volta tão rápida à rotina de trabalho, Guignoni afirma que o trabalho e a família são as coisas mais importantes da vida de um homem. Por isso, ele se dedica tanto à profissão e conta com o apoio dos familiares. “Lá em casa, todos sabem o prazer que sinto de estar na raia às voltas com os cavalos. A festa por uma grande conquista deve durar apenas algumas horas. No dia seguinte, é preciso voltar a pensar no futuro. No turfe, temos de matar um leão a cada dia”, filosofa bem–humorado.
por Paulo Gama