O turfe perdeu hoje, por volta das 6 horas da manhã, em Friburgo, José Augusto Castelões, para todos os turfistas cariocas dos últimos 40 anos, apenas o “Nabo”, um dos mais assíduos frequentadores do Hipódromo da Gávea. Aos 63 anos, Nabo estava com a família quando passou mal e acabou por sofrer um infarto a caminho do hospital. O corpo será cremado na própria cidade, numa cerimônia simples, com presença dos familiares. Nabo deixa a mulher Hilda, e três filhas, além de uma legião de amigos, fãs e admiradores do seu privilegiado conhecimento turfístico e também, da sua rara generosidade.
Nos últimos 20 anos, tive a alegria de compartilhar com ele a mesma mesa do restaurante “Placê”, e, mais recentemente, do “Favorito”. Profundo conhecedor das corridas de cavalo e também dos cavalos de corrida, Nabo era um amigo carinhoso, um homem de caráter e um ser humano sensível e generoso. Compartilhava suas informações privilegiadas – as barbadas –, fruto de apurada capacidade de estudar as corridas, malícia incontestável e amizades com profissionais, jóqueis, treinadores, donos de agentes credenciados, criadores, proprietários etc.
Contador de histórias, irreverente e espirituoso, a partir de agora o hipódromo carioca vai ficar mais triste. Uma legião de barbadeiros estará mais perdida do que cego em tiroteio sem a famosa “ordem” do Nabisco. Tenho que encontrar forças para seguir em frente sem a companhia do meu grande amigo. E pensar que Nabo contava os dias para torcer por Bal a Bali no Grande Prêmio Brasil. O turfe perde aquele tipo de turfista que, como alguns poucos, são pedras fundamentais da sua existência. Aquelas pessoas especiais que dedicam toda a vida ao turfe.
Na época de Much Better, encontrei o “Nabo” em Buenos Aires, em Paris. Aonde o craque do Stud TNT fosse, lá estava ele. Amava os craques das pistas. No dia anterior ao fechamento da Tríplice Coroa conquistada por Bal a Bali, Nabo ligou–me às 7 horas da manhã e disse que estava muito ansioso. Não havia conseguido dormir. Com certeza, no próximo dia 8 de junho, lá do céu ele será um grande torcedor do craque do Stud Alvarenga. E nós, por aqui, esperamos que ele descanse em paz.
por Paulo Gama