Blackmoor, o garanhão uruguaio (*)
Quando o tordilho Blackmoor, filho de Baddrudin e Apple Cider, foi comprado pelo Haras ao José e Expedictus, muitos duvidaram que essa importação tivesse sucesso. Tratava–se de um cavalo com idade acima da permitida para produzir bons animais. Mas se enganaram, porque esse neto de Blandford ainda foi de grande utilidade ao seu novo haras. Não só produziu ganhadores excelentes, que mais tarde se tornaram garanhões, como éguas de ótima qualidade.
Mas minha ideia aqui é contar como ele foi bom reprodutor antes de vir para o Brasil, em seu país, o Uruguai. Ele foi pai de Byzâncio, um dos melhores cavalos uruguaios, ganhador, em dois anos de campanha, dos prêmios “Jorge Pacheco”, “Treinta e Tres” e “Ensayo”, e os GPs “Polla de Potrillos”, “Criadores Nacionales”, “Jockey Club”, “Nacional” e o maior de todos, o “José Pedro Ramirez”.
Sua irmã, Bakelita, líder de sua turma, adquirida mais tarde pelo Sr. Euvaldo Lodi, titular do Haras Ipiranga, também levantou os GPs “Jockey Club”, “Polla de Potrancas”, “Producion Nacional”, “Rio de La Plata”, “Treinta e Tres”, “Constitucion” e “Los Haras”, além de cinco provas normais.
Bomba H, também adquirido pelo Sr. João Jabour, era ganhadora clássica, pelas suas vitórias nos “Ciudad de San Pablo”, “Francia” e “Los Haras”. Mas Bakelita era a melhor de todas.
Ballenato, outro tordilho bom ganhador, veio depois para a Gávea, comprado pelo Haras Verde e Preto, e ganhou os clássicos “Apertura” e “Las Piedras”. No Rio, parece que correu mais do que no Uruguai e ganhou dois importantes clássicos.
Outro tordilho, Bestm, ganhador do clássico “Santiago de Chile” e ganhador clássico no Rio, se não me falha a memória, correu com sucesso o “Grande Prêmio Paraná”, o “Protetora” e o “Bento Gonçalves”. Como estão vendo, a cor tordilha de Blackmoor predominava.
Baltimore foi outro seu filho muito bom, comprado para o Rio de Janeiro, onde foi excelente ganhador. Era de propriedade do Sr. Eurico Solanez. No Uruguai, ganhou a “Polla de Potrillos” e os clássicos “”Pedro Piñeirua” e “Lavalloja”. Baltimore era castanho.
De seus bons filhos que não vieram correr no Brasil, o melhor foi Bacanzo, vencedor do “Grande Prêmio de Honor” e do “General Artigas”. Também teve Blackwell, ganhador dos clássicos “Zamora”, “Constitucion” e “Juan Amoroso”. Para não me alongar muito, citarei ainda Wenzel, Bionda, Bar Tupi, Borreguera, Armando Bastos, Billetera e Buena Pieza (esta veio para o Brasil, comprada pelo Sr. Jurady Carvalho).
Como pode se notar, um reprodutor de respeito, o melhor que teve o Uruguai, em seus bons tempos.
(*) Texto publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980, por Heitor de Lima e Silva, o Bolonha.
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