Sem olhar para trás (*)
Creio que já contei isso em uma crônica, anos atrás. Acredito que, de lá para cá, surgiram novos leitores e turfistas. Outros podem ter esquecido o assunto.
Pierre Vaz, paranaense, filho de um excelente freio, Dinarte Vaz, fez campanha como aprendiz aqui na Gávea. Depois de jóquei, foi montar em São Paulo.
Um tanto alto para a profissão, possuía posição elegante, embora desse a impressão de correr muito em pé. Certa feita, montava uma estreante, Mandolina, com apenas 17 apostas na pedra de apregoação: um grande azar.
Na altura das gerais, Mandolina tinha três e quatro corpos de vantagem. Imagino que ele não supunha montar um animal com tanta chance. Olhou duas vezes para trás e, na segunda, a égua tropeçou. Ele caiu pela cabeça. Tudo bem.
Muito pouco tempo depois, reapareceu em uma parelha de Albano Gomes de Oliveira (Farda Rosa), Jundiá e Dollar, dois machos. Dollar já valia mais naquela época. Jundiá era encarregado de fazer carreira para o companheiro. Pierre Vaz o montava, com Mesquita em Dollar.
Jundiá saiu na frente e foi tirando. Um, dois, três e muito mais. Quando entrou na reta, trazia enorme vantagem. Mas onde andaria Dollar? Era a curiosidade de Pierre. No mesmo local em que caiu com Mandolina, olhou para trás. Sabem o que aconteceu? O animal tropeçou de novo, e ele caiu mais uma vez, na frente do lote. Os que vinham atrás vinham sofreando e o Mesquita, que tinha ido “ver vovó”, passou lá por fora e ganhou bem. Até a queda do Pierre, ele guardava Dollar para a próxima, mas acabou sendo obrigado a ganhar. Nunca mais o Pierre olhou para trás.
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Em outro local da revista, vocês encontram os melhores de 1987. Espero que tenha havido justiça.
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De Bagé, o Mário Móglia reclama da taça de criador na vitória de Maraco. Quem a recebeu, diz que só a entregará ao ganhador, aqui no Rio. Complicado. O “Pipo” gastou toda a sua lógica, sem sucesso.
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Vitória bonita de Leana na prova em homenagem ao saudoso Roger Guedon.
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Cancelada a matrícula do futuroso aprendiz D. Moreira. Lamentável, embora não houvesse alternativa. Ele mesmo confessou que havia recebido uma quantia para sair da dupla, ainda que não contasse quem ia lhe dar o dinheiro.
Com isso, o diretor da escola, Dr. Núbio Flores, voltou a aplicar a linha dura. Ninguém mais vai ter folga para ir à praia. E o ar condicionado, novinho, que colocado no dormitório, ficará desligado até segunda ordem. E o Dr. Núbio não aceita mais pedidos para “aliviar” os garotos.
(*) Texto publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980, por Heitor de Lima e Silva, o Bolonha.
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