No futebol, a volta de Bal a Bali às pistas seria como se, de repente, o Neymar deixasse o Barcelona e se apresentasse na Vila Belmiro para jogar no time do Santos outra vez. Isso daria assunto na Imprensa para um mês e muita polêmica dentro e fora do País. Declarações da Europa, repercussão no Brasil. Mas no turfe nada é bem explorado em termos de mídia. Ainda dá tempo para reverter esse quadro e tentar dar início a uma nova era. No próximo domingo, o craque do Stud Alvarenga estará na raia para disputar o Grande Prêmio Doutor Frontin. Trata–se de um tríplice coroado que já estava praticamente negociado com o turfe americano. A negociação melou e o filho de Put It Back irá se exibir para seu público na última preparatória para o Grande Prêmio Brasil. A diretoria do Jockey Club Brasileiro pode reagir. Sair do ostracismo e mostrar serviço. O jornalista Atila Santos, responsável pela Comunicação da atividade turfística do clube, é profissional dos mais competentes. Eu o conheço bem e garanto que ele sabe o que fazer. Mas precisa ter carta branca e disponibilidade financeira para divulgar o evento. Seria o trampolim ideal um mês antes da disputa do GP Brasil.
Nas últimas semanas, já se pode sentir a presença do Atila nas matérias com Marcelo Cardoso, que aposentou o chicote e falou abertamente de sua brilhante carreira profissional. Celson Afonso esteve bem no papel de entrevistador e deixou–o bem à vontade para falar da nova atividade de instrutor dos aprendizes. E nessa semana, na entrevista com a joqueta Lu Andrade uma matéria emocionante, que mostrou o lado preconceituoso do turfe e a luta incansável de uma jovem profissional para ter oportunidades num mundo dominado pelos homens. As imagens da equipe comandada pelo Bira foram espetaculares. Os matinais, o paddock, a paisagem maravilhosa do prado carioca e a perseverança da joqueta num ambiente em que apenas a presença das treinadoras Cristina Resende e Cláudia Cury contrasta com os demais. Fiquei tão sensibilizado que decidi ajudar a garota. Vou acumular o cargo de agente de montarias do Vagner Borges com ela no próximo ano hípico, em julho.
Por favor, não me venham com aquelas chamadas na televisão interna do próprio clube. Não se deve subestimar o turfista. Qualquer admirador de corridas de cavalo sabe que o puro–sangue mais famoso do País vai correr no domingo. Esse tipo de chamada só irrita os aficionados que se sentem chamados de burros. Mas os leigos desconhecem a existência de Bal a Bali. Vamos abrir os cofres. Façam um teste. Basta uma chamada caprichada na TV Globo, no intervalo entre o Jornal Nacional e a novela das nove; durante a semana até o sábado. Um belo texto do próprio Atila, a voz imponente do Luís Carlos, que é respeitado até pelos seus maiores críticos, e imagens do prado, com fundo musical escolhido a dedo. Um monte de gente que não gosta de programas de auditório aos domingos vai levar a família ao hipódromo. A turma que não suporta futebol também. E as crianças, depois da chamada, vão pedir aos pais para conhecer esse Bal a Bali.
Para os turfistas habituais, aqueles que resistem às intempéries do turfe atual, o Jockey Club Brasileiro deve estender um tapete vermelho. Ou seja: tribunas limpas, banheiros perfumados, estacionamento sem constrangimento, guichês sem longas filas, café e água mais baratos. Hoje em dia, na Tribuna Social, essa parelha (café e água) que já foi de graça, custa R$ 12,00, com os 10%. O mais caro do planeta. Enfim, vale a pena fazer um mutirão de ações em prol de alavancar a opinião pública com a proximidade do Grande Prêmio Brasil. Se tudo correr bem no próximo domingo, com certeza, a maioria do público que estiver presente vai voltar e trazer mais gente para assistir à maior prova do turfe brasileiro. Se não houver ousadia, vamos perder mais uma grande oportunidade.
por Paulo Gama