O GP São Paulo (*)
Embora já se tenham passado 15 dias, ainda vou falar da semana do Grande Prêmio São Paulo. As máquinas de apostas não funcionaram a contento, dado o volume impressionante de apostas. Às vezes, ficava–se esperando que elas voltassem a funcionar durante dois ou três minutos que, com a fila toda agitada, pareciam horas. Em dias normais – e o dia e a semana do São Paulo não é uma época normal – as referidas máquinas são um enorme atrativo.
Outro atrativo para nós, cariocas, é o grande número de cavalos em cada prova. Isso agrada e estimula. Exatas e triexatas com 20 cavalos e 12 números podem fazer o apostador acertar muito com um jogo pequeno. Nós, aqui no Rio, estamos com esse problema desesperador de poucas inscrições. E notem que os prêmios do Rio já podem ser considerados bons. Daí não se entender os páreos tão vazios. Como apostar numa trifeta de cinco números?
Em compensação, nossa grama dá olé na grama de Cidade Jardim. Está cada dia mais bonita. A de lá, talvez pelas muitas corridas que realiza, inclusive noturnas de quarta–feira e quinta–feira, está sempre rala e com trechos carecas. E podem crer que todos os anos são feitas obras nessa pista.
Falando em pista de grama da Gávea, não é preciso economizar tanto essa raia a ponto de domingo a corrida passar para a areia. Melhor do que aquela grama macia de domingo é impossível. Por que, então, areia? Aliás, quem resolve a pista é o diretor de plantão. E ele nunca está no prado pelas manhãs. É informado pelo funcionário Milton Carlos, “Risadinha”, que lhe dá a medida da pista na grande curva e no prolongamento da raia. Imaginemos que tenha dado 50. Quando ela foi tirada, ainda existia o sereno, sempre presente nas madrugadas da Gávea, mas que o sol logo fará secar. A parte de baixo, num dia em que o sol estiver forte, entre 7 horas da manhã e 2 horas da tarde, permitirá que baixe para 45 ou menos até.
Os cavalos não vão correr na hora em que a medida é tirada e, sim, sete ou oito horas depois. Então, deve–se optar sempre por grama em dias em que a pista não esteja muito encharcada ou muito pesada. O público gosta de corridas no gramado. Alguns cavalos esperam muito tempo um páreo programado para a grama. Chega na hora, vão correr mesmo é na areia. Assistimos domingo pela manhã a muita reclamação e choro até certo ponto justificável.
(*) Texto publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980, por Heitor de Lima e Silva, o Bolonha
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