Vida turfista (*)
Deixa de circular a partir desta semana a revista Jockey Club Brasileiro, que durante 20 anos ajudou os turfistas nessa luta inglória de acertar nas barbadas. Vida Turfista, pelos seus responsáveis, deveria estar orgulhosa e satisfeita, absoluta na praça. “Enfim, sós”.
Pelo contrário, estamos tristes com o acontecido, que também poderia ou poderá acontecer conosco. Recebendo uma pequena ajuda do Jockey Club, as revistas lutam desesperadamente para irem às bancas, sendo mais uma paixão turfista de seus responsáveis.
No dia em que as Sociedades compreenderem o valor das revistas de turfe irão, elas mesmas, editar as suas. Muito pouca gente apostará somente com os programas na mão – essa é a grande verdade. E daqui vai um abraço (que não é de urso) de solidariedade ao proprietário de J. C. Ilustrado, Domingos de Pontes Vieira.
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Pistas quase normais na manhã de quarta–feira, dando muitas esperanças de raia de grama. Mário Mendes conversava, lá no meio dos carros, com Oracy Cardoso, e o repórter foi fazer com o gordinho sua minientrevista semanal.
“Tenho uma corrida muito boa na semana, Olbra. Largando lá por fora, não deve ser prejudicada como foi na última. É a melhor das minhas quatro inscrições e deve ganhar mesmo, embora num páreo de 15 inscrições”.
“Filtina vai dar muito trabalho. Na última, esteve cai não cai depois da partida. Há uma força na carreira, Luzerne, e uma séria rival, Quima. Mas a minha vai embolar com as duas, e quem gostar de pule de azar, aí tem uma”.
“Ruth K está se despedindo das pistas e não vai fazer má figura. Acredito que chegue colocada, embora ganhar me pareça difícil. Lacaio trabalhou muito bem, e creio em ótima atuação. Também levará a direção de “seu” Cardoso. Outra boa pule”.
“Terminando, vou repetir que Olbra é a minha melhor inscrição. E você é testemunha de que nunca enganei jornalista. Não aceito é certas entrevistas que aparecem nos jornais de gente que nem falou comigo, ou que nem conheço. Aí, fico aborrecido”.
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As raias estão muito boas graças ao excelente trabalho que está fazendo o antigo tratorista “Marcha à Ré”. Reparem a grama como anda linda.
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Walter Cunha e Moacir Carvalho lutam muito na Escola de Aprendizes, que é, aliás, a menina dos olhos dos dois. E os frutos estão sempre maduros. O que lemos sobre A. Barroso e J. Borja num jornal de São Paulo poderia ser colocado permanentemente numa pedra, em plena Escola.
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Lindinha a filha do casal Luiz Ranulpho da Rocha Espínola, que compareceu semana passada na pista, recebendo o ganhador Aiacucho. Tem a boa pinta do pai e todo o grande charme da mãe.
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Reapareceu – muito elegante como sempre – a Sra. João Pedro Bandeira de Mello. Seus belos olhos verdes brilhavam de alegria após a vitória de Tendron.
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Estamos impressionados com os belos potros que têm chegado para os próximos leilões. Cada peça espetacular, tanto no aspecto, quanto no físico. Lindos potros.
(*) Texto publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980, por Heitor de Lima e Silva, o Bolonha.
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