Hoje pela manhã, faleceu, aos 83 anos, o treinador Walter Nielsen Pedersen. Estava internado –contra sua vontade, pois não gostava de ir a médicos e de fazer exames – na Fundação Bela Lopes, desde sexta–feira, dia 28/03. Do hospital, ainda acompanhava atentamente as corridas pela TV, inclusive tecendo comentários sobre direções de jóqueis e participações de animais.
Na últioma quarta–feira, ainda lúcido, conversava com seus filhos e esposa, principalmente sobre os assuntos de turfe, sua paixão.
Na quinta–feira, seu estado de saúde agravou–se subitamente e ele apresentava dificuldades de respiração. Seus rins paralisaram e houve perda de consciência.
Da família Pedersen, os elogios aos médicos que o atenderam, que buscaram todas as formas e recursos técnicos de manter Walter com vida, e também ao plano de saúde Amil, que prontamente cooperou em todos os momentos angustiantes que passaram.
Brasileiro, porém de origem dinamarquesa, seu pai, Peder Nielsen Pedersen, era dinamarquês, e sua mãe, Natália Imblugia, nascida na cidade do Cairo, no Egito, porém com cidadania Italiana.
Seu pai foi o maior incentivador para que Walter Pedersen fosse treinador, pois era proprietário de cavalos ainda no antigo Derby, na Tijuca, onde hoje está localizado o Estádio do Maracanã, e lá corria seus cavalos sob seu próprio nome, Peder Nielsen Pedersen.
Com a fusão do Derby Club com o Jockey Club e o surgimento do Jockey Club Brasileiro, em 1926, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, Peder Pedersen trouxe seus cavalos para o Hipódromo da Gávea e fundou o Stud Cairo, em homenagem à cidade onde sua esposa, Célia nascera, mantendo as mesmas cores da blusa da época do Derby Club.
Walter Pedersen foi criado em proximidade aos animais. Por gostar muito deles e pela facilidade de estar junto e eles, pois seu pai ainda mantinha diversos animais, decidiu seguir a carreira de treinador. Em 1955, aos 24 anos, obteve matricula no JCB. Seu pai, funcionário da General Eletric e também sócio do JCB, dispunha de grande prestígio e tinha muitos amigos, e com isso motivava seus amigos a iniciarem no turfe e os cavalos eram encaminhados ao treinamento de seu filho.
Assim Walter Pedersen iniciou como treinador. Com competência e honestidade, logo galgou a confiança de mais proprietários. Treinou centenas de animais, dentre eles, alguns clássicos e outros que embora cavalos de turma, conquistaram diversas vitórias, como o cavalo Discípulo. Dos animais clássicos, alguns de Grupo I como a castanha Chacalaca (Stud Luiz Correia Meyer), segunda colocada para a craque da época, Super Star, no GP Francisco Villella de Paula Machado, uma das provas da Tríplice Coroa de 1975. Treinou outros animais clássicos, como Lamuca e Cadenciado, que correu a Milha Internacional.
Seu período áureo como treinador, sempre com a cocheira lotada, ocorreu da década de 70 até o meio da década de 80, quando o turfe entrou em declínio, ocasionando progressivamente a parada de diversos proprietários e levando embora a esperança de muitos treinadores.
Em 2013, ficou feliz e eternamente agradecido aos atuais dirigentes por ter sido agraciado pela atual gestão do JCB com o título de Treinador Emérito.
No dia do recebimento do título (foto), ficou mais feliz ainda, por ser prestigiado pelo jovem Comissário de Corridas Nilo Ramos, que representava a diretoria, na entrega do título de Treinador Emérito.
Até sua internação, Walter Pedersen, embora com a saúde algo debilitada, participava dos treinamentos dos animais juntamente com seu filho Valtemir, o V. S. Pedersen dos programas.
Walter Pedersen foi sempre muito querido e respeitado no meio turfístico, tanto pelos treinadores de sua época, como pelos da nova geração, por sua postura, seriedade e competência de seu trabalho. Deixa sua esposa Célia e dois filhos, Paulo e Valtemir, este seguidor da árdua profissão de seu pai.
O velório acontecerá a partir das 8 horas de domingo, dia 6 de abril, na Capela "A" do Cemitério Jardim da Saudade, no Bairro de Sulacap. O enterro está marcado para as 10h30.
da Redação