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Abril | 2014

Qual é o turfe que nós queremos?
04/04/2014 - 12h34min

Esta pergunta, tão simples, tem uma resposta muito objetiva.

Queremos um turfe feito para os proprietários e para os profissionais!

Há alguns dias, o amigo Luis Felipe Brandão dos Santos, turfista de escol, proprietário e criador de extremo sucesso através do querido Stud Eternamente Rio, publicou uma mensagem que representou seu desabafo profundo sem entrar no mérito de críticas.

Para corroborar com todos os fatos citados pelo amigo, informo que o Hipódromo da Gávea (Gávea e Centros de Treinamento) perdeu 98 cavalos de 3 anos e mais entre Janeiro e Março deste ano. Para que se tenha uma idéia do estrago realizado pela citada fuga, 98 cavalos representam mais de 7% da quantidade de animais hoje disponível para formar os páreos de 3 anos e mais. Diante disso, se levarmos em conta que este número continue decaindo a esta mesma taxa, daqui a um ano teremos aproximadamente 850 animais nos possibilitando formar no máximo dois programas semanais. Na verdade, a premissa de manutenção da “taxa de fuga” é otimista uma vez que a velocidade aumenta à medida que a quantidade e frequência dos páreos diminuem. No entanto, mesmo adotando esta premissa, podemos imaginar um futuro absolutamente obscuro para o turfe nos próximos anos caso nada seja feito. Os motivos deste saldo negativo são conhecidos de longa data e foram intensificados nos últimos anos, durante a administração do Presidente, Sr. Carlos Palermo e seu Vice–Presidente de turfe, Sr. Luiz Fernando Alencar.

Profissionalismo, ao contrário do que alguns pensam, não é contratar pessoas para trabalhar, profissionalismo é a capacidade que o individuo tem para a realização do seu trabalho de forma correta, competente e bem planejada. Diante disso, a direção do JCB, especialmente os dois consócios citados deveriam estar criando grupos de trabalho para que os assuntos fossem debatidos por quem se interessa e entende dos mesmos. Entre proprietários, profissionais, funcionários do clube e até mesmo sócios turfistas do clube, temos toda a sorte de profissionais com as mais diversas especializações e é necessário somente que se crie grupos de trabalho, cada um em sua especialidade pesquisando e reportando ao comando do JCB para que este tome a decisão.

Para exemplificar a distância e falta de participação da Comissão de Corridas nos problemas do turfe, há pouco tempo houve uma questão levantada pela CC carioca em relação ao fechamento da entrada da raia pelo local conhecido como Bombril (pela proximidade com a antiga pista), obrigando a todos os animais a serem levados ao hipódromo como acontecia antigamente. Ora, esta pergunta, se parece com uma que fiz outro dia ao Obstetra da minha esposa sobre quanto tempo depois de a bolsa estourar, o bebê nasce, e se havia tempo hábil para ir para a maternidade mesmo que fosse um trajeto de 40/50 minutos. São perguntas típicas de quem não está vivendo o dia–a–dia do assunto! Pela explicação que me deu, o médico de minha esposa deve ter me achado um ignorante (o que é verdade em relação ao assunto mencionado), certamente a mesma reação que todos os profissionais atuantes no Hipódromo da Gávea tiveram ao receber a tal idéia.

A gestão participativa é sempre a melhor opção e quando se tem uma atividade em grandes apuros, ela se torna a única opção viável. Isto é profissionalismo! Este é que é o profissionalismo que nós queremos, este é que é o turfe que nós queremos e precisamos!

Arthur Stern

Sócio do JCB, criador e proprietário de PSIs



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