O castanho Much Better, criado no Haras J. B. Barros, era filho de Baynoun e Charming Doll. Em 1994, defendendo as cores do Stud TNT realizou campanha incomparável nas pistas e se transformou num dos puros–sangues mais vitoriosos da América do Sul, em todos os tempos. Com treinamento do saudoso João Luiz Maciel e sempre conduzido por Jorge Ricardo, Much Better esteve nos quatro cantos da América do Sul e ainda passou pela França para correr o Arco do Triunfo naquele ano. Mas nunca decepcionou seus fervorosos fãs. Dono de aceleração incomum e saúde de ferro, Much Better superou os adversários, surpreendeu os turfistas e escreveu seu nome na galeria dos melhores corredores nacionais.
A incansável peregrinação de Much Better teve início em março de 1994. No Grande Prêmio Associação Latino–Americana de Jockeys Clubs, realizado no centenário Hipódromo de La Plata, na Argentina, derrotou, por cabeça, o craque chileno Enfático e deixou Romarin, dos Haras São José e Expedictus na terceira colocação, a meio corpo. Era o pontapé inicial de uma campanha extraordinária. De volta ao Brasil, foi preparado para disputar o Grande Prêmio São Paulo, páreo que ficou marcado para a posteridade como o dia da morte do piloto de automobilismo Ayrton Senna. Much Better ganhou com firmeza diante de uma plateia traumatizada pelo falecimento do excepcional esportista.
Em agosto, Much Better voltava à raia como favorito absoluto do Grande Prêmio Brasil. Com o Hipódromo da Gávea superlotado, não deu susto e obteve sua terceira vitória de Grupo I da temporada. No mês de outubro, foi levado a uma desgastante viagem até Paris para defender o Brasil na prova mais tradicional do turfe europeu, o GP Arco do Triunfo. Correu com dignidade e, apesar das subidas e descidas da raia de Longchamp e do sentido contrário ao que estava acostumado a competir, chegou em 14º lugar a apenas seis corpos do ganhador, Carnegie. Voltou ao Brasil 21 dias após a participação no continente europeu. Apesar da mudança de hemisfério, perdeu a Copa ANPC na fotografia, em tempo recorde, para Fantastic Dancer.
Em dezembro, Much Better voltou a competir na Argentina, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires, enfrentando o mesmo Fantastic Dancer que o derrotara e o craque argentino El Sembrador, no Grande Prêmio Carlos Pellegrini. Foi sua vitória mais devastadora. Atropelou como se fosse um tanque de guerra e encheu de orgulho os milhares de brasileiros que torceram por ele. Já se passaram 20 anos. Para nós e para todos os seus admiradores, só restou a saudade.
por Paulo Gama