Mário da Cunha Rangel Filho foi o primeiro diretor a renunciar na atual administração do Jockey Club de São Paulo, na última quinta–feira. Ele ocupava o cargo de presidente da Comissão de Turfe. Ele nos conta porque e por quem foi convidado para ser membro da diretoria do Jockey. “Eu fui convidado pelo Eduardo Rocha Azevedo, e fiquei muito lisonjeado pelo convite. Eu tenho 35 anos de turfe e sempre fui da área”.
Em 1965, Mário Rangel entrou como sócio do Clube. Dois anos depois, ele veio a ter o seu primeiro cavalo e a formação do seu Stud, o Guaimbé.
Em 1970, ele foi convidado pela diretoria para assumir o cargo de comissário de turfe, onde ficou por 29 anos. “Eu cuido de cavalos desde os meus 17 anos de idade”. Conta Mário que assumiu o cargo dia 11 de março e renunciou dia 26, permanecendo no cargo, somente por 15 dias.
“Eu achei que com a minha experiência poderia contribuir para a melhoria do JCSP”. O proprietário Mário Rangel, disse que assim que tomou posse, as primeiras dificuldades começaram a aparecer. Ele queria implementar novas ideias, até mesmo sem mexer nas antigas, mas inserir coisas novas. E foi aí que ele começou a sentir dificuldades de interferência da presidência, na comissão de turfe. Ele nos conta ainda, que Eduardo Azevedo é influenciado por um gerente contratado, chamado Horácio, que trabalhou com ele na Bolsa de Valores.
De acordo com ele, Horácio foi trabalhar no Jockey também a convite do presidente. “O Horácio não entende nada de turfe, ele não sabe o que é casco de cavalo, cernelha... Ele não tem a menor capacidade gerencial turfística, necessária ao clube”, desabafou Mário, complementando que Horácio, tem hoje um salário de R$ 65 mil e que no mês de fevereiro recebeu uma bonificação pelo presidente no valor de R$ 300 mil e que não passou pela diretoria para sua aprovação e complementou: “E ele é quem de fato, dirige o clube”.
Mário conta que estava tentando fazer muitas coisas em benefício do turfe. Mas o atual presidente até criou um cargo de superintendente de turfe, no Jockey, indo contra os estatutos.
“Tudo isso pela obsessão de Eduardo, e com isso ele violou o estatuto do clube para sua profissionalização. Eu não sou contra a profissionalização, mas acho que tudo deve acontecer dentro do seu tempo”, ressaltou Mário.
Sobre o que fez a gota d’água para a renúncia, ele responde sem pensar: “a interferência do presidente sobre o estado da raia para as corridas, essa foi a gota d’água. Eu não poderia concordar com a ingerência do Horácio e a influência dele sobre o presidente. Eu não tenho nada contra o Eduardo, é uma pessoa de bom coração, eu o conheço já há algum tempo, mas discuto a influência nefasta que o Horário exerce sobre ele”, finaliza Mario Rangel.
por Cristiane Pepe