O experiente treinador Dulcino Milanês Guignoni não se mostrou abatido com a venda de 80% dos direitos do craque Bal a Bali, do Stud Alvarenga, para a Besilu Stables LLC, do cubano Benjamim Leon Jr. O fato de o cavalo não atuar mais no Brasil foi encarado, por ele, com naturalidade. O profissional admitiu que se o cavalo fosse de sua propriedade teria feito o mesmo. Guignoni argumenta que, no turfe brasileiro, não há páreos com dotações compatíveis às competições internacionais e que já esperava algum tipo de proposta pelo craque depois de Bal a Bali ter conquistado a Tríplice Coroa carioca.
“Tem horas em que há muito dinheiro em jogo. Quando o cavalo conquistou o Derby, imaginei que pudesse acontecer alguma negociação. Pelo menos, o Stud Alvarenga ficou com 20% e a parceria pode ser muito boa para o turfe nacional. Tenho certeza de que Bal a Bali vai representar bem o nosso turfe em qualquer lugar do mundo. Trata–se de um animal de absoluta exceção. Agora, é torcer para que possamos colher bons frutos dessa parceria aqui no Brasil”, afirmou resignado.
O fato de perder o seu maior trunfo para ganhar o Grande Prêmio Brasil deste ano não aborreceu o treinador. Sempre otimista, ele admite ter boas opções para disputar a prova mais importante do turfe brasileiro. “Vou tentar tirar algum coelho da cartola para poder correr a prova com chance. Agora, temos de pensar primeiro no Grande Prêmio São Paulo”, ressaltou.
Vagner Borges admite estar triste
A reação do jóquei de Bal a Bali, Vagner Borges, não foi de tanta resignação. O piloto reconhece a difícil posição do proprietário diante de uma proposta irrecusável. Mas lamenta, entretanto, não ter a oportunidade de ganhar o Grande Prêmio Brasil com o craque da coudelaria de quem é jóquei contratado. Borges admite já ter sonhado com o dia da prova e um novo duelo com Jorge Ricardo.
“Bal a Bali é um cavalo espetacular. Provavelmente, nunca mais virei a montar um melhor do que ele. Entendo o lado do proprietário, mas queria tanto ganhar o GP Brasil com ele. Seria fantástica a revanche com o Ricardinho. Agora, é tocar a vida sem Bal a Bali. Temos bons potros e potrancas. Vamos torcer para um dia aparecer algum que corra como ele”, encerrou em voz baixa e desanimada.
por Paulo Gama