Para ser como o Botafogo (*)
Semana passada, um grupo de brasileiros esteve na Argentina para assistir ao Pellegrini e em Palermo para o Clássico Ayacucho. Voltaram satisfeitos e com grana, já que ganharam cavalos de proprietários brasileiros.
Para começar, quero agradecer a gentileza da diretoria do Hipódromo Argentino, que nos colocou ao lado de sua tribuna, em ambiente refrigerado, com local para apostas e bar.
O Jockey fez uma publicidade muito grande sobre o Pellegrini, dizendo pelas TVs que aquele seria o maior de todos, e que um craque de 3 anos, El Serrano, iria tentar, depois da Tríplice Coroa, ganhar a Quádrupla. Até aquela data, isso só fora alcançado por Botafogo, Yatasto, La Mission, Telescópio e outros dois cujos nomes me fogem. Havia tanta gente que, depois da vitória de Faim, do Haras Santa Maria de Araras, um grupo de mais de 100 pessoas correu com o cavalo até as tribunas gerais e voltou com ele. O jóquei não conseguiu baixar e eles cantavam um hino de vitória. Uma loucura! Vejam quanto vale uma promoção. O movimento total da tarde de San Isidro passou dos 6 milhões de dólares.
A melhor carreira foi ganha pelo cavalo Faim, que estava invicto até aquela tarde, com seis vitórias, todas na areia. Não havia corrido na grama e comentava–se que não seria o mesmo nesse terreno. Seus responsáveis diziam que o cavalo corria o mesmo em todas as pistas. Ele vinha de duas corridas em 2.500 metros, duas em 3.000 metros e uma em 3.500 metros. Vejam que Stayer (direção nota mil do Valdivieso, um senhor jóquei) pertence e foi criado no Haras Santa Maria de Araras, que assim, pela segunda vez em cinco anos, criou um ganhador do Pellegrini. O outro foi I’m Glad. Faim já encerrou campanha e vai ser reprodutor por lá. Trata–se de um castanho com mais de 500 quilos, 4 anos, filho de Dancing Moss e Fallow Sister.
Mas não ficou por aí. A milha principal, Grupo I, foi levantada pelo cavalo Ieron, do Stud Paula Machado, um 3 anos, filho de Kasteel e Tabulada, esta comprada há alguns anos pelo nosso diretor, o Lineuzinho (bom olho).
Dirigido de maneira perfeita pelo M. Sareti, Ieron atropelou forte nos 300 finais e, embora tenha dominado o ponteiro a 50 metros do disco, ainda ganhou por mais de dois corpos. E marcou 92s2 na milha, pertinho do recorde, que é de 92 cravados. A delegação brasileira acertou também no Ieron. E também em San Isidro ficou excelentemente localizada na varanda da tribuna, numa mesa de 26 lugares. Isso graças ao Fontella e a dona Maryze, dois alicerces da equipe do Dr. Julio Bozano, a quem também agradecemos.
(*) Texto de Heitor de Lima e Silva, o Bolonha, publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980.
Apoio: Stud Daltex, Stud Miss Kim, André Luiz Dumortout de Mendonça, Stud Azul e Branco