Jorge Antônio Ricardo ficou impressionado com a aceleração de Bal a Bali, o tríplice coroado do turfe carioca. Admitiu ter estudado atentamente os filmes dos concorrentes antes de viajar para o Brasil para montar o Derby. Ricardinho tinha confiança na flagrante evolução do potro Hendrix, do Haras Nacional, e considerava a possibilidade de surpreender o favorito com o aumento do percurso. Não foi possível, mas o jóquei brasileiro mais vitorioso de todos os tempos, espera não ter compromissos no dia 8 de junho, data da disputa do Grande Prêmio Brasil, para tentar uma nova revanche.
“Tive muita sorte no percurso. Consegui correr o tempo todo por dentro, sem prejuízos, e obtive passagem providencial nos 700 metros finais. Consegui dominar a prova com o cavalo ainda na minha mão. Mas esse potro do Stud Alvarenga corre de verdade. Além disso, o garoto (Borges) correu pelo meu cavalo o tempo todo. Durou pouco tempo a minha esperança de vencer. Ele se aproximou muito fácil e dominou com firmeza. A égua do Stud Estrela Energia (Energia Fribby) também é muito corredora. Num ritmo de corrida mais forte, ela poderia embolar com a gente. O tempo recorde aconteceu pelo ótimo estado da raia de grama e não pelo ritmo de corrida, que foi puxado, pela qualidade dos animais, mas não foi alucinante”, analisa.
Ricardo afirmou que ainda não pode prometer presença na maior festa do turfe nacional. Depende dos compromissos de montaria na Argentina. Entretanto, declara o desejo de voltar a montar Hendrix numa nova tentativa contra o tríplice coroado.
“O potro não para de evoluir e terá de colher progressos para tentar vencer. Corridas são corridas. Na primeira vez, chegamos mais afastados do que agora. Quem sabe, na terceira tentativa a gente não consegue? Mas reconheço que este potro do doutor Álvaro Novis corre demais. E ele merece ter um cavalo assim porque investe muito no turfe”, afirma.
A diferença de 65 vitórias a favor de Russell Baze na luta pelo topo do ranking mundial incomoda o piloto brasileiro. Ele confessa que não esperava tanta resistência por parte do rival, mas promete recuperar o lugar que já foi seu por duas vezes. “Só agora estou perto da minha melhor forma atlética. Tenho montado com menor frequência e, com isso, somado menos pontos. Além disso, ele está no auge do meeting de Golden Gate, o prado que habitualmente lhe proporciona o maior número de triunfos. Mas eu já virei uma vantagem de quase 200 vitórias e posso fazer o mesmo agora”, sonha.
por Paulo Gama