O Carnaval do Gravatinha (*)
Ainda falando da festa dos melhores, queremos dizer que aqui no Brasil não se dá o verdadeiro valor do prêmio. Vimos fotos e lemos sobre a festa realizada em 1978, na França. Rádio e TV mostrando ao vivo a entrega do troféu. Nos Estado Unidos, a mesma coisa. Uma festa nos moldes do Oscar, tudo bonitinho. Da Inglaterra, não temos noticias, mas sabemos que existe o prêmio. Aqui no Brasil, alguns premiados esnobam o troféu e nem mandam representante. Mas são os primeiros a reclamar, se houver alguma injustiça (para eles) na seleção. Ano que vem o troféu “Foi ver vovô” vai ser ganho por um jóquei de cartaz.
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Com o surpreendente e inacreditável sequestro do mais caro reprodutor inglês, alguns de nossos proprietários já trataram de se preparar. Trancas e cadeados nas portas dos boxes. Por outro lado, o Sr. José Escafura passou a deixar abertos os seus boxes em Magé, na esperança que os sequestradores levem suas “peças” ali instaladas...
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Semana de carnaval, poucos assuntos, pois a seção está sendo feita antes de Appolon correr no sábado. Vamos contar um caso acontecido com o Gravatinha e com o Fernando. Os dois, muito nervosos, foram fazer um teste numa firma que precisava muito de funcionários. Gravatinha, mais nervoso, mandou o Fernando primeiro, e ficou do lado de fora. Depois de preencher uma ficha, recebeu do entrevistador a notícia de que teria de responder um teste muito fácil: “É usado nos pés e, geralmente, é de couro”. Fernando pensou muito e perguntou: “Tem cadarço”? Perfeitamente. “Então, é sapato”. Acertou, muito bem. Não lhe disse que era fácil?
Satisfeito, Fernando foi ao encontro do Gravatinha, que estava mais nervoso ainda, e lhe disse: “É fácil. A resposta é sapato.Mas, olha, tem que perguntar antes se tem cadarço”. Gravatinha encheu, tremendo, a sua ficha, e recebeu a mesma palavra do entrevistador. Agora um pequeno teste. Olhou o Gravatinha e perguntou: “Tem quatro patas, tem rabo e relincha”. Sem pestanejar, Gravatinha perguntou: “Tem cadarço”? Claro que não. Aí o Gravatinha deu a maior mancada da sua vida: “Se não tem cadarço, é mocassim”. Perdeu o emprego...
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E ele anda mesmo numa maré tremenda de falta de sorte. No fim do último mês, uma senhora o chamou: “O armário que o Sr. me vendeu abre sempre que o trem passa (ela morava perto da estação). Muito prestativo, ele fez um conserto na fechadura e foi embora. O trem passou e o armário abriu novamente. A Sra. Chamou–o novamente. Gravatinha raspou uma das portas, colocou um calço e arrematou: “Não abre mais”. Nisso, passou o trem e a porta abriu. A senhora se aborreceu: “O Sr. me disse que o armário era novo, meu marido está viajando e eu quero que o armário fique perfeito antes de sua volta”.
“Não sei o que aconteceu, mas vou acertar. Só há um jeito. Eu entro no armário um pouco antes de o trem passar e de lá vejo onde está o defeito. No dia seguinte, 10 minutos antes do horário, o “Seu Gravata” já estava dentro do armário. Por um azar incrível, o marido da senhora, um cara enorme, chegou no momento seguinte e, sem saber de nada, abriu o armário para guardar a mala. Quando viu gente lá dentro, gritou: “O que você está fazendo aí dentro”? Branco e gaguejando, respondeu–lhe o Gravatinha, em voz sumida: “O Sr. não vai acreditar, mas eu estou aqui esperando passar o trem”. Se a senhora não chega na hora para explicar, pobre do Gravata. Muita falta de sorte... Semana de carnaval é assim mesmo...
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Existem alguns pequenos funcionários do JC que se destacam pelo carinho com que cumprem suas funções, por mais humildes que elas sejam. Dignificam seu trabalho. Do Reginaldo, o maior relações públicas do clube, ao Risadinha, responsável matinal por tudo, chaveiro, mecânico, encarregado de forfaits, de informar as agências, de material... Faz tudo com alegria e boa vontade e, algumas vezes, ainda sobe até as cabines de rádio para informar sobre um forfait que entrou naquele momento. Só se aborrece com as brincadeiras do Severino Câmara.
Outro é o encarregado de comprar pules, na varanda da Social, o Viriato (**). Educado e atencioso como poucos que conhecemos na vida, sua profissão é calafate. Ganha, pela educação, ótimas gratificações. E se não derem, é a mesma coisa.
Lá na entrada das sociais, o Paulinho e o Felix, o “velho” Felix, que veio para o Brasil em 1929, num conjunto de músicos portugueses, tocador de flauta e de clarinete. Não saiu mais daqui e é o encarregado de receber os convidados que chegam de carro. É dos mais antigos funcionários da casa.
No setor de binóculos, o Pierre, que também resolve qualquer problema: remédio para dor de cabeça, agulha e linha, martelo, envelope, papel de embrulho etc. E muitos outros do tipo que citamos, sem contar os que devem existir na Sede Social e que não conhecemos.
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Para arrematar, queremos lamentar a queima da barba do amigo Ramon Monde, o popular “Rei de Copas”. A “bola” era tão grande que ele não encontrou o cigarro...
(*) Texto de Heitor de Lima e Silva, o Bolonha, publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980.
(**) Nota de Cesar Bolonha: O Viriato herdou o binóculo do meu pai.
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