No Centro de Treinamento do Vale do Marmelo, em Teresópolis, os próprios empregados se surpreendem com algumas inscrições ousadas e outras surpreendentes do treinador Victor Paim. Mineirinho, o segundo gerente, diz que ele mais parece um bruxo, que transforma situações difíceis em triunfos inusitados. Na última semana, por exemplo, o vitorioso profissional alcançou a incrível marca de oito vitórias num único conjunto de quatro programas. Foi a maior série de toda a sua carreira. Entusiasmado, brincalhão e sempre extrovertido, o popular “VP Show”, ficou satisfeito de ser chamado de “bruxo”, ou “El Brujo”, como prefere o argentino Roberto, figura carimbada do agente credenciado da Rua Djalma Ulrich, em Copacabana, e fã incondicional de Paim: “Sou amigo do José Antônio Lopes e seu admirador. Mas tenho que tirar o chapéu para o Victor. Espero que o Lopes não fique com ciúmes”, brincou o apostador.
Victor Paim atribui a manutenção da mesma equipe que lhe proporcionou a conquista de várias estatísticas como fator mais importante para obter oito vitórias e três segundos lugares numa mesma semana.
“Tenho uma base, ou talvez seja melhor dizer, uma espinha dorsal de empregados de qualidade. Procuro mantê–la sempre. Fui pioneiro, como treinador, aqui no Vale do Marmelo, e conheço a raia na palma da mão. Trata–se de um centro de treinamento com infraestrutura perfeita para os puros–sangues, pista excelente, piscina, água de ótima qualidade e bom relacionamento entre os profissionais. Observem que vários colegas também ganharam corridas esta semana”, ressalta.
Com quase 1.500 vitórias na carreira profissional, Victor Paim possui atualmente um plantel de cerca de 50 puros–sangues. O treinador reconhece ser pouco para brigar com os primeiros colocados da estatística, mas não descarta a possibilidade de voltar a rondar o topo do ranking, caso receba mais reforços. “Todos os meus proprietários ganharam corridas esta semana. Isso motiva todo mundo. Espero, sinceramente, que eles se animem e façam novas aquisições. Estive um pouco triste e desmotivado depois da última suspensão que recebi, mas agora, depois desta semana maravilhosa, estou de novo com a corda toda. Agora é pular carnaval no meu sítio, em Bacaxá, ao lado da minha querida mãezinha, Dona Odélia”, fala com irreverência.
Com relação às inscrições inesperadas, mas sempre bem sucedidas, que lhe rendem o apelido de “bruxo”, Victor explica que fazem parte da sua personalidade. “Eu gosto de inovar e de quebrar tabus. Quando comecei a trabalhar em centro de treinamento, todos diziam que os cavalos não podiam correr seguidamente. Comecei a fazer repiques de 15 dias e tive sucesso. Depois, passei a fazer inscrições com intervalo ainda menor, às vezes de apenas uma semana, e também emplaquei alguns triunfos. Hoje em dia, todo mundo faz a mesma coisa. O cavalo não sabe que está repicado e nem que desceu ou que subiu para essa ou aquela distância. Tudo o que é feito com responsabilidade não é bruxaria. Mas deixa para lá. Eu até gostei de ser chamado de “El Brujo”. Em castelhano é claro”, brinca.
por Paulo Gama