Em todo o mundo, o turfe tem apreciadores. No Brasil, atualmente não é um dos esportes de ponta, embora apenas algumas décadas atrás tenha sido o segundo na preferência dos brasileiros. Longe do futebol, é verdade, mas à frente de todos os demais.
Mesmo no badalado meio dos jogadores de futebol o turfe tem seu espaço. Alguns, como pequenos proprietários; outros, simplesmente como turfistas, apreciadores das corridas de cavalos. No Rio, Edu Coimbra, um dos grandes ídolos da história do América Futebol Clube e irmão do craque Zico, é figura constante no Hipódromo da Gávea e tem cavalos em parceria com amigos. Outro que volta e meia aparece para curtir os amigos é Paulo Cesar Caju, campeão mundial em 1970, numa seleção brasileira que, para muitos, foi a melhor de todos os tempos. O atacante Diego Souza, que até recentemente defendeu o Vasco da Gama, também foi proprietário de cavalo no turfe carioca.
No Rio Grande do Sul, um dos estados brasileiros em que a criação de cavalos puro–sangue de corridas é uma força, o jogador Fábio Rochemback, do Grêmio, é um dos mais declarados apreciadores do esporte das rédeas.
No futebol inglês Michael Owen, um dos ídolos dos futebolistas ingleses, é dono de Brown Panther, cavalo clássico, vencedor de prova de Grupo I na Inglaterra.
Também curtem as corridas e são grandes proprietários de cavalos de corridas, Pirès, um dos autores de gol da França na final da Copa do Mundo de 1998, e o atacante Claudio Pizarro.
O peruano Pizarro é o jogador que mais investe no turfe
Ex–jogador da Internazionale (Itália), do Chelsea (Inglaterra) e do Bayern de Munique (França), além de craque da seleção de seu país, o peruano Claudio Pizarro certamente é o futebolista mais ligado ao turfe. Tem cavalos em sua terra natal, na Argentina, nos Estados Unidos e na Inglaterra.
Pizarro, que começou nas divisões inferiores do Alianza de Lima, desde cedo integrou as seleções de base do Peru. Em 2001, foi negociado para o Bayern de Munique, onde jogou por seis temporadas. Conhecido como “Bombardero dos Andes”, pela facilidade para marcar gols, é fã do brasileiro Ronaldo “Fenômeno”. Quando ainda estava em Lima, conheceu o treinador Augusto Olivares e, desde então, adotou o turfe como sua segunda paixão. Quando ainda jogava no Peru, comprou alguns animais, mas nenhum de grande destaque. No entanto, comparava a emoção de vencer um páreo com a de marcar um gol. Cada dia mais (quando não havia jogos), comparecia ao Hipódromo de Monterrico, em Lima, para assistir às corridas.
No Bayern de Munique, casado e com o primeiro filho, a realidade financeira de Pizarro mudou. E a vontade de investir no turfe bateu mais forte. Decidiu, então, adquirir, junto ao Haras La Quebrada, o potro Muller, filho de El Compinche e Martina Girl, deixando–o em Lima com seu sócio – o treinador Augusto Olivares – e registrou o Stud El Catorce (número com o qual jogava), com as cores do Bayern de Munique, vermelho com frisos brancos nas mangas.
E o potro argentino conseguiu realizar os sonhos de Pizarro. Tornou–se líder de sua geração e sagrou–se tríplice coroado peruano. Por vezes, o artilheiro do time alemão, sem avisar ninguém, pegava um avião em Munique e chegava de surpresa a Monterrico para ver Muller correr – e ganhar.
No mundo, nenhum outro jogador de futebol investe mais em cavalos de corrida do que Pizarro. Realizado na profissão, com salário digno do poderoso futebol europeu, Pizarro vendeu Muller por quantia considerável e seguiu investindo. Chegou a dizer que, depois de seis anos no futebol alemão, o fato de se transferir para a Inglaterra, um dos centros mais nobres do turfe europeu, foi preponderante em sua decisão de mudar de clube.
Pouco antes de viajar para a Venezuela para disputar a Copa América, Pizarro compareceu a um leilão dos Haras Barlovento e Bouclé, no sul de Lima, onde adquiriu uma potranca filha de Spend One Dolar e Superfibra, pela quantia de 53 mil dólares. Um dia, quando treinava com a seleção peruana, Pizarro foi assistir ao clássico Estrellas Distaff, no Festival de San Isidro. E viu a favorita Teamgeist – de sua propriedade e montaria do campeão brasileiro Jorge Ricardo – ser derrotada por pequena diferença após um “mano a mano” com a veloz Cachorra Wells.
da Redação