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Agosto | 2012

O tordiho Prodo e sua proprietária e treinadora: uma história de amor
29/08/2012 - 09h11min

Raia Leve

O tordilho Prodo em ação na Gávea

Nem só dos grandes campeões vive o turfe. O dia a dia dos cavalos é uma mistura incessante de treinos e de competições e está sempre envolto de alegrias, tristezas, paixões e frustrações. A história do tordilho Prodo, por exemplo, envolve uma verdadeira relação de amor entre o animal e sua proprietária e treinadora, Nair Maria Heinemann da Silva.

Filho de Nedawi (mesmo pai de Didimo, ganhador do Grande Prêmio Brasil deste ano) e de Property (por Equalize), Prodo foi criado pelo modelar Haras Campestre. Começou a campanha no Hipódromo do Tarumã, em 29 de abril de 2005, ainda aos 2 anos de idade, finalizando fora do marcador. Depois, veio para a Gávea, palco de 57 das suas 60 apresentações, das quais sete foram transformadas em vitórias.

Na primeira corrida no Rio, no dia 12 de junho de 2005, um animador 3º lugar em páreo de 1.300 metros, na grama. Seguiu faturando, mas como não conseguia vencer foi parar nos claimings. E foi num claiming que Prodo conquistou o primeiro êxito: no dia 18 de fevereiro de 2006, em 1.400 metros, na pista de grama. Seguiu nos claimings e, no dia 8 de maio de 2006, venceu pela segunda vez.

O terceiro êxito já ocorreu na turma, em 28 de agosto de 2006, primeira vez em que abordou os 2.000 metros, na grama. A partir daí, Prodo começou a evoluir e, em 25 de março de 2007, participou, pela primeira vez, de uma prova de Grupo: a milha, gramada, do Grande Prêmio Presidente Emílio Garrastazu Médici, do Grupo II, finalizando fora do marcador. Na corrida seguinte, o Clássico Outono, em 1.600 metros, na grama, dia 14 de abril de 2007, o esperado êxito clássico.

Depois, foram várias colocações clássicas e a primeira corrida em São Paulo: na milha internacional do GP Presidente da República, chegando fora do placar. Seguiu participando de clássicos até 13 de setembro de 2008, quando parou por cerca de sete meses, já com os boletos comprometidos. Reapareceu com dois terceiros lugares e duas vitórias. Depois, terminou duas vezes em quarto lugar e Antonio Carlos Teixeira, titular do Stud Daltex, seu proprietário de então, decidiu que não continuaria correndo. Pediu a seu treinador que desse o tordilho para alguém que cuidasse bem dele. Correr, dali em diante, nem pensar. Prodo estava condenado para as corridas.

Nair, entretanto, quando viu o tordilho, apaixonou–se à primeira vista. Levou–o para um centro de reabilitação de equinos, onde Prodo saiu completamente do ritmo das corridas:

“Comecei a mexer com ele de forma diferente. Usava até uma sela de salto, embora jamais tenha saltado. Tivemos de reiniciar tudo”, lembra Nair.

O trabalho paciente deu resultado e, mesmo sem ter o direito de colocar o cavalo novamente na pista para correr, Prodo mostrava–se completamente recuperado. Parecia um potro. Antonio Carlos Teixeira, titular do Stud Daltex, soube da evolução do cavalo e me perguntou se gostaria de fazê–lo voltar a correr. Nair respondeu que sim e ele, então, autorizou–a a inscrever o cavalo.

Quase um ano após a parada, Prodo voltou às pistas. Mostrou–se recuperado, conseguiu algumas colocações no marcador e Nair decidiu levá–lo para correr no Páreo da Sorte, em São Paulo:

“Achava que ele não perderia, mas a joqueta Jeane Alves, que havia assinado o compromisso montaria, sofreu um acidente dias antes e teve de ser substituída pela joqueta Aderlândia Alves. Esta, como não conhecia o cavalo, ficou receosa ao ver seus boletos e não o exigiu a fundo”, relata a proprietária e treinadora de Prodo.

De volta à Gávea, algumas exibições depois, Prodo, já aos 8 anos de idade, retribuiu, com bela vitória, todo o carinho recebido. Pela primeira vez na distância de 2.400 metros, na grama, faturou páreo de pesos especiais, no dia 12 de dezembro de 2010:

“Uma alegria indescritível. Era um páreo de pesos especiais, mas para mim teve o sabor de vitória num Grande Prêmio Brasil. Dias antes, ele tinha pisado numa pedra e estava sentido dos anteriores. Quase fizemos seu forfait. No entanto, como seu ferrador garantiu que não teria problema, colocamos palmilhas para proteger seus anteriores, no dia da corrida, e ele mostrou toda sua bravura na pista, com uma direção espetacular do Jeferson Coelho. Foi maravilhoso”, relembra Nair, com a voz embargada pela emoção.

Prodo seguiu correndo até o dia 23 de julho de 2012, já com dez anos, idade em que são raros os cavalos que ainda correm. Continua muito bonito, mas Nair decidiu que chegara a hora de retirá–lo das competições:

“Prodo não vai correr mais. Vai descansar e, quem sabe, um dia poderá gerar novos cavalos com a mesma raça e disposição que mostrou. Se não for utilizado na reprodução, será bem cuidado até o fim de seus dias. Ele merece tudo de bom que eu puder fazer. É como se fosse um filho”, finalizou a proprietária e treinadora, segura de ter tomado a decisão certa para seu cavalo mais querido.

da Redação



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