A primeira impressão de quem vê o belo rosto e o corpo franzino (apenas 50 quilos) é de que se trata de alguma dessas muitas moças que são modelos fotográficos, que são íntimas das passarelas e da alta costura. Num segundo instante, o observador imagina que a jovem, de 26 anos, deve enfrentar uma dieta rigorosa para manter esse corpo esguio, no qual qualquer roupa cai bem. Absoluto engano. A gaúcha Josiane Gulart não é modelo, mas faz enorme sucesso nas pistas de areia e de grama do Hipódromo de Cidade Jardim, na profissão de jóquei, um ofício de maioria absoluta masculina. E, apesar dos poucos quilos e da excepcional forma física, a joqueta come como gente grande.
“A minha natureza é ser magra. Desde criança me alimento bem e não engordo. Ao contrário do meu irmão, o Acedenir, que sempre teve problemas na profissão de jóquei por causa do peso. Para dizer a verdade, quem estiver na mesa, observar o meu prato e o do meu namorado verá que não há nem termos de comparação. Eu como muito mais do que ele”, fala, sorridente, referindo–se a Vagner Leal, campeão da estatística de jóqueis do ano passado em Cidade Jardim.
Josiane toma apenas um copo de leite antes de sair de casa, às 5h30, para os treinos diários no Hipódromo Paulistano. A joqueta explica que não gosta de trabalhar empanturrada. Mas, depois do trabalho, admite que já está faminta e, por volta das 9h30m, não abre mão de uma vitamina caprichada. A preferida é a de abacate, mas ela também tem o costume de tomar a de morango com leite, ou ainda a mista, com banana, mamão e abacate. “Eu sei que engorda, mas adoro abacate. Com leite então, fica uma delícia”, conta.
Depois de dormir para recuperar as forças, Josiane reconhece que pega pesado na hora do almoço. Ela admite que quem observar o seu apetite na hora do almoço não acredita que exerça a profissão de jóquei. “No almoço, eu deixo andar. Adoro feijão, arroz, macarrão e não pode faltar carne, afinal eu sou gaúcha. E uma carne ou um frango, sempre bem passado, é muito bom. Eu sou meio chata para salada. Só gosto de alface americana, de couve e de beterraba”, relata.
À noite, é muito raro Josiane jantar. Ela prefere leite e bolacha de água e sal. Mas ressalta que, quando a temperatura está muito fria, aprecia tomar sopa, de preferência uma canja bem temperada. “De noite, eu tiro o pé do acelerador. Afinal, tenho que acordar cedo para trabalhar os cavalos e preciso dormir bem para estar descansada para os treinos. Com a barriga cheia, a gente não consegue ter a mesma qualidade de sono”, ensina.
Perguntada sobre suas maiores extravagâncias, além de comer bem na hora do almoço, Josiane admite que o chocolate seja o seu ponto fraco para manter o peso em dia. “Nos últimos seis meses, engordei um pouco por causa dos bombons. Antes, eu não tinha dificuldade para montar de 51 quilos. Agora, tenho que ralar um pouco. Mas 52 quilos eu faço com tranquilidade. Outro ponto fraco é gostar de fastfood. Adoro hambúrguer e toda hora eu dou uma passada na lanchonete Girafa’s”, admite, ao mesmo tempo em que solta uma deliciosa gargalhada.
Entretanto, se o chocolate e o hambúrguer são os vilões para segurar o peso, a joqueta tem alguns fatores que funcionam como aliados para manter o excelente estado atlético e a balança em dia. Em primeiro lugar, não gosta de refrigerantes. E não bebe cerveja. Sua bebida preferida é suco de laranja e, quando arrisca alguma coisa mais forte, uma Smirnoff Ice ou um chope de vinho. Além disso, ela faz academia, com musculação e exercícios específicos para as pernas, no condomínio onde mora. E corre na esteira, para manter o fôlego, pelo menos três vezes por semana. “Apesar de alguns deslizes, estou em boa forma. Mas, de vez em quando, eu chuto o balde. Ontem, por exemplo, comi uma pizza deliciosa”, fala e volta a exibir o belo sorriso.
por Paulo Gama