César Gustavo Netto, o popular Gugu, recebeu com muita alegria a notícia de que o seu pedido de matrícula de treinador fora deferido pela Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro. Nos últimos meses, ele já vinha reduzindo muito a quantidade de compromissos de montaria. Toda a sua motivação já estava voltada para o preparo de puros–sangues de corrida no Posto de Fomento, em Teresópolis. Consciente do grande desafio que representa a nova atividade, ele espera repetir – como treinador – os bons resultados que obteve na profissão de jóquei.
“São atividades bem distintas. O jóquei só precisa cuidar do peso, do estado atlético e conhecer bem as suas montarias e os adversários. Depois do páreo corrido, com qualquer resultado, acaba o seu compromisso. O treinador precisa lidar com os cavalos na raia, na cocheira e ainda ter bom relacionamento com os proprietários e os empregados sob o seu comando. Tem de administrar a alimentação dos cavalos, a serragem, para que os cavalos tenham uma boa cama, e ficar de olho nos cavalariços para que cuidem sempre bem deles. E ainda tem o desgaste das contas. Você sempre paga os serviços na frente, bem antes de receber os prêmios pelos resultados”, analisa.
Com 12 cavalos alojados em Teresópolis, Gugu se diz satisfeito com as melhorias feitas na infraestrutura do Posto de Fomento. A raia tem 600 metros e encontra–se em boas condições. As cercas foram reformadas e a qualidade da areia melhorou também. “Minha expectativa é muito boa. Acredito em bons resultados neste novo desafio. Tenho recebido o apoio dos proprietários, principalmente dos titulares da Fazenda e Haras Harmonia, grande incentivador do meu trabalho. Espero conseguir retribuir à altura a confiança em mim depositada”, afirma.
César Gustavo Netto admite sofrer a influência de vários treinadores consagrados para quem montou nos seus mais de 20 anos na profissão de jóquei. Destaca a perseverança e a coragem do pai, Daniel Netto, como peça–chave no seu aprendizado. Mas se lembra de outros que deixaram marcado para sempre em sua mente a forma de lidar com os cavalos no dia a dia.
“Roberto Morgado Júnior, o Bebeto, sempre me impressionou pela incrível sensibilidade de interpretar o que cada cavalo pedia. Mário Campos me chamou atenção pela simplicidade. Procurava tratar dos cavalos de maneira normal. Nunca inventava fórmulas mágicas e cada pensionista realizava o exercício dentro da própria característica e de acordo com a necessidade da distância que fosse competir. João Maciel foi o melhor de todos. Um gênio. Ele me ensinou que, se o cavalo é craque, você pode encarar qualquer dificuldade, pois ele se supera. Entretanto, se tem limitações, você precisa buscar os melhores páreos para ele. Aprendi, com ele, que inscrever bem os animais é tão importante quanto mantê–los em forma”, revela.
Otimista com relação à nova fase do turfe carioca, Gugu quer conquistar a confiança dos turfistas, com cavalos sempre bem apresentados. Consciente das dificuldades dessa nova etapa de sua vida, ele se diz motivado para enfrentar o problema crônico do turfe brasileiro: a relação desigual entre o valor dos prêmios e o preço do trato. “Os prêmios baixos causam estresse inevitável em proprietários e treinadores. Os cavalos precisam faturar e, nem sempre, se pode esperar os páreos certos para eles correrem. A busca afobada pelo faturamento quase sempre precipita as inscrições e compromete os resultados”, ensina.
Por Paulo Gama