No próximo domingo, o jóquei tricampeão do Grande Prêmio Brasil, Carlos Geovani Lavor, vai ter a oportunidade de conquistar pela quarta vez o páreo mais importante do turfe brasileiro, dessa vez no dorso de Cisne Branco, do Haras Santa Maria de Araras. Se conseguir, vai quebrar a escrita pessoal de não ganhar a prova em anos pares. As três conquistas anteriores foram obtidas em anos ímpares: em 1989, com Troyanos; em 1991 e em 1993, com Villach King. A coincidência, a seu favor, é que os dois puros–sangues também pertenciam ao famoso criador, proprietário e turfman, Júlio Bozzano, a exemplo de Cisne Branco.
Em 1989, com apenas 19 anos, Lavor dava os primeiros passos na profissão quando apareceu em sua vida um craque espetacular: Troyanos. Treinado por seu pai, o saudoso Wilson Pereira Lavor, Troyanos era imbatível na geração, mas tinha problema crônico em um dos cascos, o que deixava os rivais sempre com esperanças de que pudesse sentir algo na corrida. O triunfo nos metros finais sobre Laurus, montado por Gabriel Meneses, foi dramático e sacramentado com a ajuda da fotografia.
Antes do páreo, Wilson Lavor chamou o filho e lhe falou para que não se preocupasse com uma possível derrota do cavalo, afirmando que assumiria a responsabilidade junto à imprensa, pois o cavalo devolvia o capital na pedra de apostas. Lavor foi para o cânter preocupado porque sabia dos problemas do cavalo e antes das provas anteriores o pai sempre lhe tranquilizava e dizia que estava tudo sobre controle e que Troyanos ganharia. Naquela vez, havia sido diferente. Mas Troyanos tinha classe, aceleração e muita valentia. Numa reta brigada, cabeça a cabeça, obteve a vitória para alegria da multidão e alívio de toda a família Lavor.
Dois anos depois, a profecia de ter sorte em anos ímpares se confirmava. Villach King atropelou do fundo do lote para chegar ao triunfo. Lavor comemorava mais uma vez um triunfo no Grande Prêmio Brasil, com apenas 21 anos. No intervalo entre 1991 e 1993, o craque enfrentou inúmeros problemas físicos e parecia que nunca mais seria o mesmo. Mas recuperou–se e, em 1993, proporcionava a Lavor o tricampeonato. Numa fantástica arrancada, alcançou, no olho mecânico, aquele que seria o melhor cavalo brasileiro da década: Much Better. Vitória na troca de galões, numa fotografia demorada. A estrela de Lavor voltou a brilhar.
No entanto, a brilhante carreira de Carlos Geovani Lavor não se resume aos três triunfos na maior prova do turfe nacional. Além disso, ele levou duas éguas extraordinárias da criação Paula Machado –, Virginie e Be Fair – à conquista da Tríplice Coroa e escreveu seu nome em quase todas as provas do calendário clássico nacional.
Aos 43 anos, Lavor se mantém em perfeito estado atlético. Continua a ser um jóquei de percurso frio e calculista, dono de rigor incomum e de cálculo de corrida perfeito. Jóquei contratado do Stud Quintella, no próximo domingo pode conquistar o Grande Prêmio Brasil pela quarta vez. E, pela primeira vez, num ano par.
por Paulo Gama