Aos 27 anos, a gaúcha Josiane Gulart, natural de Carazinho, ocupa temporariamente a liderança da estatística de jóqueis em Cidade Jardim, São Paulo. Segunda colocada na temporada passada, superada apenas pelo namorado e campeão, Vagner Leal, a joqueta admite atravessar o melhor momento de sua carreira. Sua maior satisfação pessoal, entretanto, é ter conseguido abrir espaço para as mulheres no meio turfístico, segundo ela, extremamente machista, mas que aos poucos se rende às joquetas depois dos bons resultados por ela obtidos.
“Quando cheguei ao Rio só havia montado em canchas retas no Rio Grande do Sul. Sofri discriminação por ser mulher. Todos achavam que eu estava apenas de passagem e que desistiria de tudo diante da primeira dificuldade. Depois de algum tempo, provei encarar o trabalho com seriedade e pretender me estabelecer na profissão. Hoje, as joquetas mais novas encontram outro ponto de vista por parte dos homens. No lugar da descrença e da desconfiança, recebem respeito porque outra mulher já conseguiu provar a capacidade de disputar as corridas de igual para igual com os homens. Esta é a minha maior alegria no turfe”, afirma.
Josiane admite ter vivido um ano perfeito, profissionalmente. Depois da sétima colocação na temporada anterior, pulou para o segundo lugar no ranking de jóqueis de São Paulo na temporada seguinte. Começou o novo ano hípico a todo vapor e já lidera a estatística. A joqueta gaúcha, entretanto, espera enormes dificuldades para bater o próprio namorado e atual campeão, Vagner Leal, além de Francisco Leandro, José Aparecido e Waldomiro Blandi, segundo ela, os principais candidatos à liderança.
”Os colegas de profissão tiveram um ano conturbado por quedas. Abriram caminho para facilitar os meus bons resultados. Agora a briga será feia pelo topo do ranking. Se conseguir chegar embolada com estes quatro, já será bom”, reconhece.
Os resultados dos últimos tempos são creditados, por ela, à confiança conquistada junto a proprietários e treinadores. Josiane destaca o fato de receber boas montarias de quase todos os treinadores do turfe paulista como responsável pela espetacular sequência de triunfos.
“Quando tudo se encaixa é muito bom e minha vida agora está assim. Mas já passei por fases ruins, principalmente quando troquei o turfe carioca pelo paulista. A profissão sempre tem bons e maus momentos. É preciso reconhecer isso e enfrentar as crises de peito aberto, para depois reencontrar a felicidade”, filosofa a joqueta sensação do turfe brasileiro.
Josiane tem acompanhado de perto a evolução de Marcelle Martins, a aprendiz que lidera a estatística de jóqueis no Rio de Janeiro. Considera que teve rápida evolução, mas alerta a colega para as dificuldades de perder a descarga de peso.
“Marcelle é ótima largadora e melhora a cada dia. Precisa continuar focada no trabalho e manter a humildade para superar a fase de transição entre deixar de ser aprendiz e passar à categoria de jóquei. Mas ela tem talento e, com certeza, vai continuar a dar canseira nos jóqueis da Gávea. Aliás, eu sempre afirmo para os meus amigos. Quem consegue montar no turfe carioca com sucesso pode montar em qualquer hipódromo do mundo. Além do excelente nível de jóqueis, a corrida é competitiva, dura e só com muita raça se consegue chegar lá”, ensina.
Josiane pretende voltar a montar no Rio de Janeiro. No momento, porém, quer mesmo é desfrutar da boa fase que atravessa em São Paulo. Motivada para a semana do Grande Prêmio Brasil, faz planos para montar em todas as reuniões da Gávea.
“Quero matar a saudade dos amigos e dos inúmeros fãs que torcem por mim no simulcasting”, fala, abrindo seu lindo sorriso.