Nosso leitor, João Audi, que é turfista e um dos titulares do Stud Megatrom, conta que ficou encantado a assistir ao Derby de Epsom e faz uma narrativa do que viu e vivenciou durante a reunião – uma das principais do turfe inglês –, encerrando com o bom humor que lhe é característico. Como julgamos o texto interessante e esclarecedor, estamos publicando–o e agradecendo ao seu autor.
Por uma feliz coincidência, estava eu em Londres por ocasião do Jubileu de Diamante da Coroação (1953) da rainha da Inglaterra, que além de outras atrações reservava um presente para os amantes do tufe, como eu: o 233º Derby em Epsom Downs, com o excelente prêmio de mais de R$ 4 milhões, o maior do ano para corridas no Reino Unido.

A Rainha no meio dos cavalos
Para melhorar, no British Museum havia uma magnífica exposição sobre a história dos cavalos, da Arábia ao Royal Ascot. Consegui aprender um pouco mais sobre o turfe e rever coisas interessantes. Os primeiros cavalos foram domesticados há mais de 5 mil anos. Quase todos os PSI (Thoroughbred) descendem de três garanhões que vieram para a Inglaterra no início do século XVII: Byerley Turk, Darley Arabian e Godolphin Arabian, também conhecido como Godolphin Barb. Suas forças e resistências, combinadas com a velocidade dos cavalos ingleses, criaram a raça que nos une e apaixona.
Mas, voltando às corridas, fui de trem para o hipódromo. As composições estavam lotadas e a viagem desde Victoria Station, em Londres, leva cerca de 40 minutos. Centenas de jovens em clima de festa e piquenique, carregando bebidas (muitas cervejas em temperatura ambiente) e carregando jornais e revistas alusivas ao evento.
Da estação de trem até a tribuna, uma boa caminhada de 20 minutos. Estive no Grand Stand, ao lado do Queen’s Stand, onde o traje fraque/cartola era exigido.
Na parte interior das pistas, mais de 100 mil pessoas presentes, com parque de diversões, bares, ônibus de dois andares estacionados em local com vista panorâmica da pista. Um grande e democrático piquenique ao ar livre, em uma festa inacreditável para os nossos padrões.

A multidão lotando o hipódromo
Dentro do hipódromo, fora as apostas oficiais, dezenas de totens com operadores de apostas independentes, o que possibilita a chance comparar os rateios e dá ao apostador o direito de jogar como e onde quiser, ou julgar mais vantajoso.
Dois detalhes curiosos: um deles, diz respeito à conduta dos jóqueis, que agora só podem usar o chicote algumas poucas vezes durante a corrida, o que torna a “tocada” o diferencial da performance; o outro, a idade do jóquei de Camelot, vencedor do páreo principal da reunião, com apenas 19 anos. O pai, treinador, deu a montaria de presente ao filho.
A rainha, uma apaixonada pelas corridas e proprietária de alguns animais, passeava tranquilamente pelo paddock, onde tive a oportunidade de tirar algumas fotos interessantes.
Do lado de fora, os alto–falantes diziam que todos os lugares estavam vendidos, um “mar” de carros no estacionamento, trens lotados, mais de 100 mil pessoas...
Será que um dia chegaremos lá?
OBS: Apostei nos sete páreos do dia e errei todos. Fiquei sem referencial, pois não achei J. C. Sampaio, V. Nahid, D. Duarte nem V. Borges nos programas.
Saudações tricolores!