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Julho | 2012

O que é e como identificar o Mormo?
10/07/2012 - 12h50min

google images

Exemplo de animal infectado com mormo

Em razão de o exame sorológico realizado no potro Vinhedo ter apresentado suspeita de mormo, a Vigilância Sanitária decidiu fechar – por 45 dias – o trânsito de cavalos no Centro de Treinamento Bela Vista, em Teresópolis. A liberação do trânsito também dependerá de apresentação de exame negativo para o mormo de todos os cavalos lá alojados.

O potro Vinhedo – que clinicamente não apresenta nenhum sinal da doença – foi submetido a uma contraprova e, caso seja confirmada a existência da doença, terá de ser imediatamente sacrificado.

Afinal, o que é o mormo? – essa é a pergunta mais frequente do momento nos meios turfísticos.

Mormo (ou lamparão) é uma doença infectocontagiosa dos equídeos. Foi o principal problema de saúde pública na Europa e no Brasil no final do século XIX e no começo do século XX, quando era comum a tração animal. Adolf Lutz foi o primeiro, no Brasil, a diagnosticar e a isolar a bactéria que causa o mormo. Com a substituição da tração animal pela tração mecânica, o mormo foi desaparecendo até ser considerado extinto – em 1969 –, depois de destruído o último foco da doença, em São Lourenço da Mata (Pernambuco).

No entanto, na Zona da Mata nordestina (principalmente em Alagoas e em Pernambuco) continuavam a aparecer casos semelhantes ao mormo. Como a doença era considerada erradicada, achavam que fosse algum garrotilho atípico, mas na citada região alguns focos da doença permaneceram intocáveis. Regiões canavieiras, de encostas acentuadas, com calor e umidade são perfeitamente adequadas à proliferação da bactéria.

Com a popularidade da vaquejada e o aumento da criação de cavalos da raça Quarto de Milha, que é uma potência no Nordeste, o mormo foi se irradiando pelo Nordeste brasileiro e é uma doença que pode ser transmitida ao homem e a outros animais. Manifesta–se por corrimento viscoso nas narinas e pela presença de nódulos subcutâneos (nas mucosas nasais, nos pulmões, por gânglios linfáticos, por pneumonia etc). Os animais contraem o mormo pelo contato com material infectante do doente: pus; secreção nasal, urina ou fezes.


Vinhedo é o potro com suspeita de mormo no CT Bela Vista

Os sintomas mais comuns são: a presença de nódulos nas mucosas nasais e nos pulmões, além de gânglios linfáticos, catarro e pneumonia. A forma aguda é caracterizada por febre de 42º, fraqueza e prostração; pústulas na mucosa nasal que se transformam em úlceras profundas com uma secreção, inicialmente amarelada e depois sanguinolenta; intumescimento ganglionar e dispneia.

A forma crônica apresenta–se na pele, nas fossas nasais, na laringe, na traqueia, nos pulmões, de evolução mais lenta. Pode apresentar, também, localização cutânea semelhante à forma aguda, porém mais branda.

A contaminação acontece pelo contato com material infectante (pus, secreção nasal, urina ou fezes). O agente penetra por via digestiva, respiratória, genital ou cutânea (por lesão). O germe cai na circulação sanguínea e depois alcança os órgãos, principalmente pulmões e fígado.

O mormo apresenta forma crônica ou aguda. A forma aguda é mais frequente nos asininos. Os animais suspeitos devem ser isolados e submetidos à prova de maleina, realizada e interpretada por um veterinário. A mortalidade da doença é muito alta.

Quando há suspeita de mormo devem ser realizadas as seguintes medidas: notificação imediata à Defesa Sanitária; isolamento da área da infecção e isolamento dos animais suspeitos; sacrifício dos que reagiram positivamente à mesma prova repetida após dois meses; cremação dos cadáveres no próprio local e desinfecção de todo o material que esteve em contato com os mesmos e desinfecção rigorosa dos alojamentos.

As medidas profiláticas só devem ser suspensas três meses após o último caso constatado e os produtos usados devem ser à base de sulfas, principalmente sulfadiazina e sulfatiazol ou sulfacnoxalina ou cloranfenicol e outros, em forma de grupos antibióticos.

da Redação



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