Para os turfistas saudosos dos anos dourados das décadas de 80 e 90, o triunfo de Jet Queen, no último domingo, no Grande Prêmio Adayr Eiras de Araújo – Taça Onze de Julho foi autêntica viagem no tempo. Uma viagem de profunda alegria e prazer. Filha do extraordinário velocista Mensageiro Alado, a neta de Time For a Change proporcionou maravilhoso exercício de memória naqueles que tiveram o privilégio de ver o seu pai correr. Ganhador da Copa Velocidade e do Grande Prêmio Major Suckow de 1995, na véspera do inesquecível Grande Prêmio Brasil de R$ 1 milhão, Mensageiro Alado encantou o público brasileiro com sua explosão e consistência. Montado pelo incomparável Juvenal Machado da Silva e preparado pelo mestre Alcides Morales, Mensageiro Alado glorificou a farda preta, com cruz de Santo André e boné ouro, do Haras Santa Ana do Rio Grande.
A oportunidade de presenciar, na entrega das taças, a família Fragoso Pires nos encheu de satisfação. Nos meus primeiros passos na carreira de cronista de turfe, algumas das melhores linhas foram escritas através de craques da temível farda. O uruguaio Mogambo, montado por Adail Oliveira, numa jornada inesquecível no Grande Prêmio São Paulo. O velocista Vida Mansa, responsável pelo recorde de vitórias da coudelaria como proprietário. A geração avassaladora da letra A, com Asola, Anilité, Anis, Anamour, entre outras craques criadas nas terras sagradas de Bagé, na Fazenda Mondesir. Asola levantou o Grande Prêmio Diana e o Grande Prêmio Marciano de Aguiar Moreira, mas não foi tríplice coroada porque havia perdido o Grande Prêmio Henrique Possolo para a tordilha Anilité, posteriormente vencedora do Grande Prêmio Brasil. Duas craques fantásticas sob a batuta de Alcides Morales.
Belle Valley e o cearense José Aurélio também formaram dupla das mais eficientes. Carteziano e Edson Ferreira também. Carteziano ganhou o Grande Prêmio Brasil de 1988, numa atropelada espetacular com a farda de José Carlos Fragoso Pires Júnior. As atenções do público turfista estavam voltadas para a parelha Bowling e Bat Masterson, montados pelos gênios Jorge Ricardo e Juvenal Machado da Silva. O fenômeno João Luiz Maciel respondia pelo preparo de Carteziano. E, finalmente, Falcon Jet. Mais uma vez Maciel brilhava e fazia do alazão uma locomotiva que proporcionou a Jorge Ricardo a primeira vitória na prova mais importante do turfe nacional em 1992.
A égua Jet Queen chega à semana do Grande Prêmio Brasil com o amparo de toda essa gloriosa magia da tradicional farda do Haras Santa Ana do Rio Grande. E por isso não deve ser subestimada, por maiores que sejam as adversárias que terá pela frente. Parabéns ao jovem treinador Roberto Solanés pelo estado atlético exuberante de sua pensionista.