No turfe, muitas coisas acontecem. Na Gávea, na última sexta–feira, dia 6 de julho, por exemplo, foi apresentada a deserção do cavalo Notorious Big, de propriedade de André Luiz Dumortout de Mendonça. Quem fez as apostas durante determinado período do dia, não pôde colocar o cavalo, embora ele estivesse naturalmente inscrito no nono e último páreo, pois o sistema – que o apresentava como forfait – já tinha retirado o número 6, de Notorious Big.
No entanto, Notorious Big passou pelo setor de pesagem, ficou no padoque aguardando o páreo e entrou na pista. Aí, alguém disse que ele não podia correr, pois fora apresentado como forfait pelo sistema de apostas e o cavalo teve de voltar rapidamente ao padoque. Mandaram retirá–lo, mas a treinadora Cristina Resende bateu pé firme e não aceitou. Afinal, nem ela nem ninguém havia declarado o tal forfait. Perceberam que a treinadora estava certa, ajustaram a entrada do número de Notorious Big no sistema de apostas e o cavalo acabou correndo. E como correu. Foi o quarto colocado, perto do terceiro, ou seja, figurou na Quadrifeta com garantia de R$ 10 mil.
O fato só não alcançou maiores proporções porque Notorious Big, que vinha de corridas fracas e estava praticamente desprezado nas apostas, não terminou entre os dois primeiros. Se tivesse vencido, interferiria francamente no Pick3 final, no Pick7, no Open Betting e em todas as acumuladas que envolvessem o páreo. Se fosse o segundo colocado, ainda afetaria o resultado do Open Betting e as acumuladas de dupla que incluíssem o último páreo.
A Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro já anunciou que abriu sindicância para apurar o equívoco da informação, mas provavelmente não encontrará responsável algum. Afinal, foi um erro do sistema. No entanto, o turfe, como qualquer setor que vive de apostas, depende, fundamentalmente, de credibilidade.
Talvez o açodamento provocado pelo fato inesperado tenha sido o maior responsável pela falha, pois desde os primeiros atos a nova diretoria tem mostrado sua preocupação em preservar e até em aumentar a credibilidade do esporte e de tudo ue o envolve. No entanto, a solução de reintegrar o cavalo ao páreo certamente está muito longe de ter sido a mais acertada.
A própria urgência em alterar o sistema de apostas – para a inclusão de Notorious Big, em cima da hora do páreo – poderia ter causado transtornos maiores, inclusive com o risco de prejudicar, seriamente, o movimento de apostas do páreo.
Como a falha partiu do clube – e é justo que o culpado pague por seus erros – duas soluções pareciam mais apropriadas para a situação: oferecer alguma vantagem ao proprietário do cavalo (que por ser um gentleman, com certeza aceitaria qualquer oferta razoável da diretoria do Jockey Club Brasileiro) e retirar o cavalo em comum acordo com o dono; ou deixar que o cavalo corresse sem numeração e avisando ao público que sua presença não interferiria nas apostas, apenas serviria para premiar o proprietário (e demais interessados) com o valor da colocação que o cavalo obtivesse na carreira.
Em qualquer das duas possibilidades, o prejuízo seria muito pequeno para o clube e nulo para os apostadores e para os envolvidos com o cavalo. Muito melhor: a credibilidade estaria fortalecida e devidamente preservada.
da Redação