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Julho | 2012

Jockey de São Paulo maltrata os proprietários
01/07/2012 - 20h58min

A reunião realizada na noite desta última quinta–feira, 28 de junho, não poderia ter apresentado solução mais desfavorável para os proprietários, criadores e profissionais de cavalos que têm seus corredores no Hipódromo de Cidade Jardim. A diretoria do Jockey Club de São Paulo, após longo período de silêncio – desde maio de 2011 –, finalmente, e mesmo assim, graças a intervenção da ABCPCC, anunciou as datas em que o clube pretende pagar os prêmios que estão atrasados (em mais de um mês) e também os futuros prêmios. No entanto, o anúncio,que se esperava trouxesse boas novas, teve sentido oposto ao que  muitos esperavam. Ao contrário, apenas agravou a situação que já vinha incomodando a comunidade turfística: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DOS ATRASOS no pagamento dos prêmios. 

As soluções apresentadas foram as seguintes: em relação aos prêmios já atrasados, serão pagos 50% no próximo dia 15 de julho e o restante no dia 15 do mês seguinte. Essa primeira informação teve  repercussão razoável.

Quanto ao pagamento dos prêmios a que farão jus os proprietários de cavalos nas corridas a partir de amanhã, sábado, dia 30 de junho, uma notícia desoladora: serão pagos 30% no dia 18 de setembro e 70% no dia 31 de dezembro (???) de 2012.

Com relação às corridas realizadas a partir de setembro, serão pagos 30% em 21 dias e os 70% restantes também em 31 de dezembro de 2012.

Para aumentar o desespero, especialmente, dos proprietários – mola mestra do turfe, pois são eles que bancam o espetáculo – despesas com veterinária, inscrições, addeds, taxas de montaria, taxas de boxes, dentre outras, não poderão ser abatidas pelos que tiverem crédito na casa, ou seja, o Jockey Club de São Paulo instituiu a “Lei do Cão” no relacionamento com os proprietários, não fossem eles os que sustentam a cada dia os cavalo de corrida, mola mestra do turfe.

Segundo fontes próximas à própria diretoria, o motivo do atraso seria a opção do JCSP de se inserir em um novo Refis de impostos municipais, com elevado valor, posto que já existia um contratado na gestão Marcio Toledo. Com esse novo compromisso fiscal ficou inviável o pagamento integral dos prêmios. A opção feita, nunca é de mais reiterar, não o será às expensas exclusivas de proprietários e criadores, mas de profissionais, que verão seus pupilos migrarem para o Rio de Janeiro, onde os prêmios há décadas são pagos, impreterivelmente com 14 dias. Em São Paulo, além do prazo ser de 21 dias, vez por outra, a comunidade turfística é pega de surpresa com a interrupção do pagamento dos prêmios. Esclareça–se que na gestão Marcio Toledo este tipo deplorável de episódio não aconteceu uma única vez. Esclareça–se também que, quando Marcio Toledo assumiu o seu primeiro mandato, o JCSP não tinha dinheiro em caixa, sequer para pagamento de funcionários e para o pagamento de prêmios, e então após reuniões na ABCPCC com proprietários, negociou uma moratória de dois meses, tempo necessário para ajustar as finanças do clube. Após este período, no restante de seus seis anos de mandato, nunca atrasou qualquer pagamento.

Como mencionado, a situação do JCSP só chegou a este ponto, depois da diretoria do JCSP, demonstrando absoluta falta de planejamento e de diálogo, firmar altos compromissos mensais de pagamento de impostos, contando que a receita com  a venda de ativos imobiliários coincidiria com os compromissos que houve por bem assumir. Acontece que por problemas documentais, ainda com a extinta CCCN, a venda do primeiro ativo a ser negociado – prédio (colégio) em frente às Vilas Hípicas – não pode ser realizada, frustrando a diretoria. Outros patrimônios, dentre eles a Chácara do Ferreira, o prédio do centro da cidade (cujo estacionamento garante boa renda aos cofres do JCSP), e quiçá o Centro de Treinamento de Campinas, podem estar com os dias contados, pois inexoravelmente serão negociados, em ação cujo mérito não se discute.

Também existe a possibilidade do JCSP de obter recursos através da Outorga Onerosa, um artifício baseado em lei municipal, que permite espécie de venda de um lugar onde provavelmente nunca se construirá (como as pistas, o pião do prado, e as áreas das cocheiras, por serem tombadas) para uma construtora que queira construir um prédio em um bairro, com mais andares do que a legislação do bairro permite. Neste caso, o JCSP “vende” o espaço das pistas, do pião do prado, mas continua o dono das mesmas. Perde apenas o direito de construir no local.

Independente a isso, tal decisão de vender patrimônio, só agrava a situação do turfe paulista. Entretanto, existem perguntas que merecem respostas:

Por que os proprietários devam ser penalizados, se não são os responsáveis pela Administração e a Situação do JCSP, e desde maio de 2011 – há mais de um ano – quando a diretoria atual assumiu, jamais foram consultados sobre alternativas que poderiam ser colocadas em discussão para evitar a caótica situação a que se chegou ?

Por que a APFT, Associação Paulista de Fomento ao Turfe, que apresentou diversos estudos e recomendações para o turfe paulista, sempre de forma contributiva, nunca teve nenhum destes colocado em prática ?

Por que o estudo de mudança de Estatuto do JCSP, realizado por uma empresa de consultoria contratada pela a APFT, entregue há meses à diretoria do JCSP está engavetado até hoje ?

Por que até hoje, mais de uma ano após assumir, a diretoria do JCSP, não concluiu um projeto de turfe ?

Por que o JCSP não atua de forma objetiva, atacando o cerne da questão do déficit do turfe, e se junta imediatamente, sem mais nenhuma delonga, ao JCB para instaurar a PEDRA ÚNICA no turfe brasileiro, conforme mostra o projeto TURFE FORTE – Diagnóstico da situação do Turfe Brasileiro, elaborado em ABRIL de 2010, por conceituada empresa de consultoria e custeado pelo próprio Presidente Eduardo, pela APFT, pela ACPCPSI e pelos maiores criadores e proprietários do Brasil, que identifica as soluções para a crise da atividade de turfe no Brasil ?

Veja os comentários sobre este assunto, na pergunta de n° 5 da entrevista realizada pelo Raia Leve, em 02 e 03 de março de 2011, quando o Presidente Eduardo Rocha Azevedo era candidato a Presidência do JCSP:

Pergunta n°5) Você teve acesso ao projeto “Turfe Forte”? Qual a sua posição em relação às principais propostas contidas no documento que todos os atuais presidentes dos hipódromos brasileiros aplaudiram, mas, concretamente, nada fizeram para implementá–lo? Pretende retomar o assunto? De que forma?

Eduardo:
Primeiro, essa idéia desse projeto, esse projeto foi bancado pela APFT, da qual eu sou vice–presidente. Quem teve a primeira idéia de fazer um projeto sobre o turfe, para que seja discutido o turfe, de uma maneira profissional fui eu, numa conversa que eu tive com o Ministre Cirne Lima, em Paris, quando nós fomos para o GP Arco do Triunfo. Disso ai, foi feito o seguinte: a APFT, através de alguns associados, e de outros turfistas, que não são sócios da APFT, resolveram desenvolver esse projeto. (N.R.: Ele não mencionou que a ACPCPSI – Raia Leve também patrocinou o projeto turfe forte). ...isso aí foi bancado por proprietários e criadores de cavalo de corrida, com o apoio do Dr. Afonso Burlamaqui,...... Esse projeto é um compromisso meu, que fui um dos idealizadores desse projeto, de começar a discussão de como transformar o turfe no Brasil numa coisa extremamente profissional. Isso aí é o final desse projeto. E depois de fazer comentários sobre a utilização do projeto Turfe Forte pela antiga administração de Márcio Toledo, do JCSP, informando que esta não ligou para o turfe durante os últimos anos, conclui:  .... Eles não ligaram para o turfe durante 6 anos. Hoje o número de cavalos aqui é menor do que quando não pagavam os prêmios. Então, eles estão desesperados para conquistar os criadores e proprietários, onde eles não fizeram nada pelo criador e proprietário. “Não, nós pagamos os prêmios”.  E então dá a PALAVRA FINAL: Prêmio é obrigação. Não é nenhuma dádiva.

E o Raia Leve continua com as perguntas.

Por que o JCSP não realiza empréstimo bancário, com aval do presidente e de alguns dos seus vice–presidentes, para solucionar o problema, como fez, em 1992, o presidente do JCB à época, Dr. José Carlos Fragoso Pires, ao avalizar empréstimo bancário tomado pelo clube para evitar, exatamente, esse tipo de coisa. Não teria a diretoria do JCSP acesso ao sistema bancário brasileiro, oferecendo tal aval , para obter empréstimo de 6 meses, posto que a própria diretoria está assumindo o compromisso de quitar todos os atrasados no início de 2013?

A diretoria do JCSP, que assumiu o comando do clube por livre iniciativa, disputando com afinco pleito eleitoral para fazê–lo, acha justo que o ônus financeiro da sua falta de planejamento, da sua omissão em reconhecer a importância da Pedra Única, recaia não sobre seus membros ou os sócios do clube, mas sim sobre a sofrida comunidade turfística, cuja relação Prêmio/Trato é a mais baixa da última década ?

A diretoria do JCSP, após pegar a todos no turfe de surpresa, primeiro atrasando os pagamentos, depois declarando moratória de suas dívidas com os proprietários e criadores, imagina ainda merecer credibilidade perante os prejudicados ? Imagina que será capaz de fazê–los acreditar que irá cumprir os prazos a que agora se compromete ? Ou acha razoável que os prejudicados cogitem que novos adiamentos estão por vir ? Costuma–se dizer que credibilidade depois de quebrada é quase impossível restaurar. Com o JCSP, sob o comando da atual diretoria, será diferente ?

E na mesma entrevista de 02 e 03 de março de 2011, com o Presidente Eduardo Rocha Azevedo, então candidato a Presidência do JCSP, o Raia Leve faz a pergunta de n° 20, que foi a seguinte: Pergunta n°20) Voltam a surgir rumores da venda da Chácara do Ferreira, do Centro de Treinamentos de Campinas e de parte das cocheiras do Hipódromo de Cidade Jardim ? O que você pensa a respeito destas vendas ? Que providências tomará a respeito ?

A resposta:  ........”Porque, a primeira coisa que tem que ser vista é a seguinte: você não pode ficar vendendo patrimônio do clube para cobrir a atividade que dá prejuízo. Qualquer empresa do mundo quebra com isso aí. Você vai vendendo patrimônio, vai dando prejuízo, vai vendendo patrimônio, vai dando prejuízo, e daqui a pouco você não tem nem patrimônio nem clube mais. É equilibrar o clube e estar com as contas transparentes, e não como é feito hoje, quando nós não sabemos nem quanto fatura nem quanto gasta isso aqui.”, finaliza Eduardo Rocha Azevedo.

O que o turfe necessita é de união e diálogo, principalmente entre as Entidades Promotoras de Corridas e as Associações de Proprietários e de Profissionais. É assim no mundo inteiro.

O tempo está contra o turfe brasileiro, responsável pelo sustento de  dezenas de milhares de famílias que dependem exclusivamente do turfe. A cada ano, mais famílias diminuem suas rendas e pessoas passam fome.

Pensem nisso.

Luiz Octavio Figueiredo
Presidente da ACPCPSI – Associação Carioca dos Proprietários do Cavalo Puro Sangue Inglês.


PS: No fechamento deste editorial, soubemos que a diretoria da APFT se colocou à disposição da diretoria do JCSP no sentido de juntas buscarem fontes de recursos que possam solucionar a situação financeira até dezembro de 2012, a qual não requereria  ao JCSP a adoção das tão fortes medidas anunciadas. Esta é uma possibilidade de respiro de alívio para o turfe paulista.



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