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Março | 2012

Dubai World Cup: uma noite (milionária) das Arábias
30/03/2012 - 15h47min

E.R.A.

Meydan: o palco do milionário festival

Alguns dos mais famosos páreos ao redor do mundo são tratados com grande reverência, justamente em virtude da construção histórica proporcionada pelos mesmos, nos anais do turfe internacional. Muitos precisaram de disputa ininterrupta, por anos e mais anos, até que enfim galgassem o reconhecimento da coletividade turfística internacional, como um tudo. Em suma: dificilmente uma corrida instituída há pouco tempo conseguirá, de uma hora para outra, prender a atenção dos turfistas de todo o globo. Para isso é necessário aquilo que chamamos de tradição. E para esta, tempo. Bastante tempo.

Mas eis que em meados da década de 90 surgiu a exceção. À época foi promovido, pela primeira vez, um festival turfístico, praticamente no meio do “nada”. Mas em questão de poucos anos, as altíssimas e quase inacreditáveis cifras oferecidas pelos patronos do meeting, trataram de compensar questões como a distância, e a suposta falta de tradição daqueles páreos. Não por menos, a Dubai World Cup – e seus embates afins – com 16 anos de realização, é um dos encontros turfísticos mais almejados no calendário internacional. E o páreo mor do festival carrega o peso de ser a corrida mais bem paga do turfe mundial.

Ainda que se trate de um evento sazonal e sem apostas locais (para a alegria dos “books” britânicos), as corridas em Dubai, em questão de pouco tempo, conseguiram refletir na Dubai World Cup – além do poder advindo da dinastia Al Maktoum – o principal objetivo, formulado na sua criação: o símbolo de uma autêntica “Copa do Mundo” do turfe, atraindo e gente e cavalos de todos os continentes. Desde o já extinto Hipódromo de Nad al Sheba, até a moderníssima praça hípica de Meydan, a Dubai World Cup vêm prendendo a atenção dos aficionados, ano a ano.

Neste sábado, o milionário festival ganhará a sua versão 2012, com nove páreos (cinco de grupo I) programados, e com gritantes mais de US$ 27 milhões a serem distribuídos em premiações. Na principal prova da reunião, produtos de 3 e mais anos disputarão a Dubai World Cup (gr.I), em 2.000 metros na pista sintética tapeta, com nada menos que US$ 10 milhões de bolsa. Estarão alinhados, de dentro para fora nos boxes, Master of Hounds, Eishin Flash, Zazou, So You Think, Smart Falcon, Planteur, Royal Delta, Monterosso, Silver Pound, Transcend, Capponi, Prince Bishop, Mendip e Game on Dude. Vale lembrar que as duas edições do páreo corridas em Meydan até aqui, revelaram ganhadores provenientes de países que até então nunca haviam produzido um vencedor da DWC: Glória de Campeão (vide abaixo) e o japonês Victoire Pisa.

Silvestre de Souza, representação solitária do Brasil

Atravessando o melhor momento de sua carreira como jóquei, o brasileiro Silvestre de Souza será o nosso único representante no festival. Sem animais criados no Brasil, ou inscrições de treinadores “brazucas”, cabe a Souza defender a bandeira verde e amarela no festival. Piloto contratado da Godolphin, Souza só deixou de assinar montarias em dois páreos da jornada, sendo que na DWC a sua cartada é o norte–americano Mendip, que venceu em fevereiro o Al Maktoum Challenge Round 2 (gr.II).

A relação do turfe brasileiro com a Dubai World Cup começou de maneira animadora, quando Siphon e Sandpit finalizaram em segundo e terceiro, respectivamente, após terem dado “fila” de vitória na DWC de 1997 (o ganhador foi o hoje reprodutor Singspiel). Contudo, nossa primeira vitória em provas componentes do festival só aconteceu em 2004, quando Lundy’s Liability (Candy Stripes), do Stud TNT, venceu o UAE Derby (gr.II). Naquele mesmo ano, Hard Buck (Spend A Buck), na defesa da Team Victory, perdeu “na foto” a Dubai Sheema Classic (gr.I), vencida por Polish Summer.

Contudo, sem qualquer resquício de dúvida, foi a vitória de Glória de Campeão (Impression), representando o Haras Santarém e o Stud Estrela Energia, na Dubai World Cup de 2010, o clímax da criação nacional no vultoso meeting. Conduzido por Tiago Josué Pereira e treinado pelo francês Pascal Barry, o neto de Clackson foi o primeiro ganhador do páreo na “Era Meydan”, e tornou–se, no ato, o brasileiro recordista em premiações – superando, até mesmo, as somas de Sandipit – em todos os tempos.

por Victor Corrêa



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