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Fevereiro | 2012

Entrevista com o leitor Antônio Moura
19/02/2012 - 11h33min

Arquivo Pessoal

Beat Time, em uma das suas 6 vitórias

No Raia Leve, o leitor tem espaço garantido. Desde sua implantação, o “Espaço do Leitor” tornou–se fundamental para o contexto democrático e político do turfe nacional, procedendo, diariamente, a opinião dos leitores do site. A página recebe, mensalmente, centenas de mensagens. Com o objetivo de dar um âmbito ainda maior à opinião daqueles que são o combustível que move o esporte, Raia Leve entrevista um turfista dos mais conhecidos do Espaço do Leitor, o ex–proprietário Antônio Moura. Nascido em Coimbra, Portugal, Antonio José da Silva de Pais Moura, 69 anos, é pai de seis filhos, tem quatro netos e, em breve, a neta Maiara lhe dará o prazer inédito de ser bisavô.

RL: A partir de que momento de sua vida você se tornou turfista?

AM:
Desde que cheguei ao Brasil, em setembro de 1955, fui diretamente para Niterói. Nos meados de 1956, passei a frequentar, diariamente, o hipódromo. Isso ocorreu até cinco anos atrás, quando optei por não renovar a carteira de motorista e não dirigi mais. Jamais me desencantei com o turfe. Com o advento da internet, o avanço da idade, a preguiça e o fato de não ter mais cavalos acabei me afastando do prado, onde fui figurinha fácil por anos a fio, nos treinos matinais e nas corridas.

RL: Conte–nos a respeito da época em que teve cavalos.

AM:
Tive cavalos com os irmãos Bezerra da Silva, Becão e Bequinho, com Victor Paim e com Norival de Souza, treinador extraordinário que jamais entendi por que nunca quis trabalhar na Gávea, recusando várias propostas. Lord Baltimore e Beat Time foram os cavalos mais ganhadores, mas minha paixão foi a perdedora Motola, vendida por 20 mil dólares ao Adilson Careca, titular do Stud Irmão Unidos, que um ano depois me revendeu por 5 mil dólares.

RL: O que mais gosta no turfe?

AM:
Gosto de tudo, do conjunto da obra. Entretanto, antes da proliferação de centros de treinamento na serra, meu encanto eram os matinais. Chegava cedo, logo após as 6 horas da manhã. Muitas vezes, o único já presente quando eu chegava era o treinador José Luiz Pedrosa, então presidente da Associação de Profissionais. Na época em que tive cavalos com o treinador Victor Paim, acompanhava o dia–a–dia da cocheira e só retornava a Niteroi após o almoço.

RL: De que forma você vê o Raia Leve no contexto do turfe?

AM:
Sou até suspeito para falar. Entro no Raia Leve, religiosamente, três vezes por dia. De forma resumida, diria que é o mais completo site de turfe do Brasil.

RL: O que o motiva a participar do Espaço do Leitor?

AM:
A motivação maior é saber que vou dispor de uma considerável plateia, embora nem sempre de acordo com meus posicionamentos. E é exatamente na democratização do site que reside o seu maior valor. Entendo que eventuais intervenções têm de existir, pois nem sempre as pessoas mostram o necessário equilíbrio para exprimir suas posições. A meu ver, os indivíduos começam a ser medidos pela educação e pela serenidade nas situações adversas.


1ª vitória de Raggio, um Heathen na Rua da Praia

RL: Qual a sua maior alegria e a maior tristeza no turfe?

AM:
Nada se compara à satisfação de ver seu cavalo ganhar um páreo, mas torço pelo meu sucesso tanto quanto pelo sucesso dos amigos. Quanto às tristezas, tenho, por hábito, não guardar tristezas nem mágoas. Decepções, talvez. No entanto, procuro absorvê–las. Alguns amigos já me disseram que estou mais para inglês do que para lusitano, mas a verdade é essa.

RL: Quais são seus desejos para o turfe nacional?

AM:
Meu sonho maior eu acho que não vou conseguir ver realizado, embora acredite piamente que esse dia vai chegar: a pujança da nossa criação e do turfe brasileiro como um todo. Os primeiros passos já foram dados e um dia vão frutificar. Glória de Campeão não será caso isolado.

RL: Qual o melhor cavalo que viu correr?

AM:
Os adeptos de Itajara que me perdoem, mas nenhum superou Farwell. Lamento não ter visto Gualicho. Dizem que era um cavalo extraordinário, como extraordinário também foi Arturo A, que vi sair de penúltimo para a ponta, em apenas 50 metros, num GP Brasil, e ainda se dar ao luxo de aumentar a vantagem até o disco. Os adeptos da “fera” do Lineu, certamente não assistiram às demonstrações de Farwell, que só foi derrotado (duas vezes) na Argentina, onde foi segundo para o brasileiro Escorial, ao qual sempre derrotou no Brasil; e pelo cavalo argentino Atlas, num mano a mano da partida à chegada, com a desvantagem de ter largado do último boxe, enquanto o rival saía do primeiro. Em suma, Farwell foi o Pelé, mas no turfe o que não falta são os Messis e os Cristianos Ronaldos.

RL: Qual seu jóquei preferido?

AM:
Pelo conjunto da obra, não há como fugir do Ricardinho. Destacar o melhor envolve, como nas escolas de samba, uma soma de quesitos. E no quesito confiabilidade, Ricardinho deixa para trás talentos excepcionais como o próprio pai, o Juvenal e o Goncinha. Não cito Rigoni, pois só o peguei no final. Dos atuais, tenho admiração por J. Leme, que em três oportunidades foi o piloto do meu Beat Time. Desde aprendiz, ele chamava atenção pela eficiência e seriedade.

RL: E treinador?

AM:
Aí é mais fácil. Cosminho Morgado Neto, para mim, é o melhor de todos. Guignoni, Venâncio, Menegolo e Paim também são excelentes. Só não sei por que o competente, honesto e trabalhador o amigo Jonas Guerra anda esquecido pelos proprietários. O campista Norival de Sousa também era um preparador de mão cheia. O “coroa” fazia chover.

RL: Para finalizar, qual sua opinião sobre a eleição presidencial do Jockey Club Brasileiro que se aproxima?

AM: Tenho as melhores referências a respeito do Dr. Carlos Palermo e sei que ele conta com o apoio de nomes dos mais tradicionais e importantes do Jockey Club Brasileiro, inclusive a enciclopédia Sergio Barcellos e o bem–sucedido dirigente Afonso Burlamaqui.

por Eluan Turino

NOTA DA REDAÇÃO: Agradecemos a boa vontade do entrevistado – como ele mesmo cita, por muitos considerado um lusitano com a fleuma inglesa – para com a nossa reportagem e nos desculpamos por qualquer mal–entendido durante o percurso. Resta–nos dizer que esperamos continuar realizando entrevistas desse tipo e que algumas checagens de informações fazem parte da boa conduta jornalística, pois nosso objetivo é informar com a velocidade que a internet permite e com a segurança que merece nosso quadro de leitores, do qual sua presença muito nos honra e orgulha.



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