O ano começa da maneira mais intensa possível para o turfe uruguaio. Afinal de contas, com menos de uma semana vivendo um novo calendário, o país já desfruta de sua disputa máxima vinda de dentro das pistas, por ocasião do Gran Premio José Pedro Ramírez (gr.I), atração internacional da próxima sexta-feira, em Montevidéu. A prova ocorre em meio aos festejos do Dia de Reis (6 de Janeiro), que por sinal representa um feriado nacional no Uruguai.
E por mais que a modernidade inerente às instalações do Hipódromo de Maroñas nos mantenha em contato com tendências bastante atuais em relação a gerenciamento e estrutura turfísticas, engana-se quem pensa que o Ramírez também é algo novo. O páreo, pelo contrário, já possui tradição secular, uma vez que a sua primeira edição aconteceu em 1889, com a vitória do francês Havre, um filho de Verdun pertencente a Emilio Casal.
À época de sua criação, a prova recebeu a denominação de Gran Premio Internacional, que lhe acompanhou até meados da década de dez, quando então se decidiu pela homenagem a tão importante figura de José Pedro Ramírez. Como presidente da Comisión Organizadora de las Carrerras Nacionales, ao final do século XIX, Ramírez garantiu ao turfe uruguaio condições boas o suficiente para que Maroñas não mais precisasse das inscrições de cavalos mestiços, crioulos, dentre outras raças que não o Puro Sangue Inglês, podendo, assim, restringir os seus páreos oficiais a estes últimos.
No ano de 1982, pela primeira vez um brasileiro venceu o GP José Pedro Ramírez. E não foi um corredor qualquer. Tido como um dos melhores valores da nossa criação, em todos os tempos, o castanho Duplex, montado por Jorge Garcia e treinado por Walfrido Garcia, venceu o “Ramírez” daquele ano para o Stud Jupiá, deixando o argentino Galisteo com a formação da dupla. E na década anterior ao sucesso de Duplex, prevaleceram na prova animais estrangeiros, mas que, posteriormente, na função de reprodutores, tiveram estreita ligação com o Brasil, a exemplo de Janus e Vacilante.
Outra data bastante simbólica numa retrospectiva do páreo é o ano de 1998, com a realização do último “Ramírez” antes da falência do Jockey Club de Montevidéu. Com a re-abertura de Maroñas (pelo grupo privado Maroñas Entertainment), que voltou à ativa completamente repaginado e apresentando moderníssimas instalações, também voltou o GP José Pedro Ramírez, que em sua retomada (ano de 2004) teve em Bat Ruizero o seu ganhador.
E nesta nova fase de Maroñas, o turfe brasileiro vem fazendo história no “Ramírez”, haja vista que nasceram aqui os últimos três ganhadores do páreo: Relento, em 2009, Sing-A-Song em 2010, e finalmente o fantástico Mr.Nedawi no ano passado. Na tentativa da quarta conquista consecutiva para o Brasil, agora em 2012 aparecem seis inscrições: Fury of Gods, Pick-Pick, Figo, Sing-A-Song e Nansouk, além do suplente Hermano Rico.
O GP José Pedro Ramírez será o décimo oitavo dos vinte e três páreos programados para a jornada desta sexta-feira, em Maroñas. A largada está marcada para as 20 horas e 50 minutos – o horário local coincide com o “relógio” de Brasília. E se não podemos ter a garantia de que a hegemonia verde e amarela será mantida no primeiro lugar, nos resta, no entanto, uma certeza: emoção é o que não vai faltar na pista de Montevidéu.
por Victor Corrêa