O sucesso de jóqueis brasileiros que se aventuram pelo turfe internacional, já não é mais uma novidade há um bom tempo. A alta capacidade de alguns pilotos “brazucas”, aliás, lhe transformam em verdadeiras referências nos países em que se instalam, e passam a participar de suas corridas. Por mais que a proximidade geográfica nos coloque em contato mais freqüente com as façanhas de Jorge Ricardo e Altair Domingos na Argentina, ou as seguidas vitórias de Everton Rodrigues e demais compatriotas no Uruguai, há muitos outros países se rendendo à qualidade do jóquei brasileiro.
Um bom exemplo disso são os estrondosos números de João Moreira em Cingapura. Atual campeão das estatísticas locais – desbancando o ídolo local, Vlad Duric – Moreira encerra 2011 com quase o dobro de vitórias conquistadas por Duric, o segundo colocado, nesta temporada (são 153 de Moreira contra 84 de Duric), confirmando, assim, a sua condição entre os melhores profissionais revelados no turfe brasileiro nos últimos anos.
Em Macau, a festa entre os jóqueis também é brasileira. O ano de 2011 acaba para Manoel Nunes com este no topo das estatísticas, calculando 29 vitórias. E na segunda posição aparece, justamente, Fausto Durso, que a exemplo de Nunes por anos militou no turfe paulista, e agora vem abrilhantando as disputas orientais. Outro piloto que aparece bem colocado no ranking local de jóqueis é Nelito Cunha, que poucos meses após a sua transferência já está a apenas 5 vitórias de adentrar ao grupo dos 5 primeiros colocados nas estatísticas.
Nome de ascensão constante, Silvestre de Souza conseguiu vingar num dos pólos turfísticos mais competitivos de todo o Planeta, sendo hoje o segundo colocado nas estatísticas britânicas. Bridão que, por uma ironia do destino, recebeu poucas oportunidades em sua terra natal, Souza hoje galga posições à frente de jóqueis como Kieren Fallon e Jamie Spencer, representando muito bem o Brasil no seleto turfe inglês. Ainda no velho continente, temos um considerável número de jóqueis atuando no turfe sueco, e os resultados também aparecem por lá – nomes como os de Valmir Azeredo, Elion Chaves, Rafael Schistl dentre outros, figuram com destaque nos dois principais hipódromos do país, no caso Täby e Jägersro.
E não há como falar em jóqueis brasileiros bem sucedidos no exterior sem nos voltarmos, também, para a América do Norte. Mesmo acidentado recentemente, Eurico Rosa encerrou a última temporada no Canadá na quarta posição entre os pilotos de Woodbine, acumulando 125 vitórias. Já nos Estados Unidos, Leandro Rocha, em número de vitórias, é o terceiro melhor jóquei do país em 2011, num universo de mais de 1.700 pilotos.
Se por um lado tais resultados enchem de orgulho a comunidade turfística brasileira, por outro há de se lamentar o fato da falta de estrutura e oportunidades dignas em nosso turfe ser, na maioria das vezes, a única razão para estas jornadas, mundo a fora, acontecerem.
por Victor Corrêa