A essência do erro é negar o que é, ou afirmar o que não é. O erro continuado, porém, é o resultado de uma “vontade maléfica” (Santo Agostinho), ou seja, o propósito deliberado de agredir a ordem do mundo e da hierarquia de valores que ela implica. É ser cúmplice das trevas e só pretender ouvir o silêncio de si mesmo.
Mas o erro propositadamente continuado é, antes de tudo, a privação da própria consciência, que está implícita na falta de conhecimento, e em idéias inadequadas, falhas ou confusas. Em resumo, um caso médico.
Mas é mais que isso: é a manifestação de uma vontade ensandecida, maior que o intelecto, que dá assentimento a tudo que não tem clareza e distinção suficientes para o intelecto. É a irracionalidade em sua manifestação mais autêntica.
Há cerca de um ano e meio, a administração do Jockey Club Brasileiro, por exclusiva iniciativa de seu presidente, destruiu, de uma só vez, a pista interna de treinamento, a pista diagonal dos potros, parte ponderável do peão do prado, e o piso do estacionamento da Rua Bartolomeu Mitre, construindo naqueles locais tendas de um show de rock. Uma calamidade.
Após um ano e meio, caminhão volta a atolar, danificando
e interditando a pista diagonal
Tempos depois, pressionada pela visão dos danos que, irrefletidamente, impôs ao patrimônio do clube, consentiu em corrigir (parte) de seu catastrófico erro, gastando, para tal, os recursos que obtivera com o aluguel do espaço. E fez juras, na ocasião, de que isso jamais se repetiria. Pobre de quem acreditou...
Imaginando que a memória dos sócios não existe, e de que pode dispor a seu bel prazer das instalações do clube, a mesma administração repete, neste final de 2011, o mesmo pesadelo que impôs ao Jockey Club Brasileiro. Não só repete, como desta vez o amplia.
Agora, teremos, exatamente no mesmo espaço do malfadado show de rock, um novo “show de réveillon”, patrocinado pelo “promoter” Ricardo Amaral, segundo informam, amigo dileto da presidência do clube.
Quando as luzes se apagarem, e a festa acabar, o primeiro dia de janeiro de 2012 verá atrás de si os rastros de uma nova e ainda mais retumbante destruição do patrimônio do Jockey Club Brasileiro. E as conseqüências disso serão inevitáveis para o clube e o turfe do Rio de Janeiro.
Por várias semanas, ou mais, não será possível ver ou televisionar as corridas na reta oposta (já não se consegue mais isso neste momento); por várias semanas, ou mais, nenhum treinador saberá qual a ação de seus animais, nem tampouco poderá cronometrar os tempos dos trabalhos matinais; por várias semanas, ou mais, ter-se-á que refazer partes das pistas de treinamento e de corridas, já afundadas e desniveladas pelos caminhões que por ali circulam (um dos quais, já se atolou neste sábado, depois das pesadas chuvas que caíram na cidade).
Por várias semanas, ou mais, a desmontagem da parafernália utilizada no tal “evento” vai espalhar detritos de toda ordem pelas pistas ao seu redor, destruir novamente o piso do peão do prado, cortar árvores, transformar tudo em um campo de batalha.
Nesta manhã, já não foi possível aprovar os potros no partidor da diagonal (partidor não havia no local e tudo em volta estava ocupado pelos trabalhos de “montagem” do novo monstrengo do “réveillon”).
Caminhão atolado interrompeu durante todo o dia o treinamento
de largada dos animais
Novamente, Luis Eduardo da Costa Carvalho transformou o interior do hipódromo da Gávea em terra de ninguém. Novamente, usou sua “vontade maléfica” para desafiar qualquer sentido de racionalidade, e de bom senso, para com o patrimônio do Jockey Club Brasileiro.
Novamente, estamos vivendo o mesmo pesadelo já experimentado em passado recente. Apesar de todas as promessas de que isso não se repetiria. Promessas vãs, todas elas escritas n’água.
A única esperança, diante de tanto desgoverno, é saber que este mandato (bem assim, este tipo de atitude), que passam por cima de qualquer sentido de respeito para com o clube e o turfe do Rio de Janeiro, estão mais próximos que nunca de seu fim amargo.
Caminhão atolado e gestão Luis Eduardo da Costa Carvalho,
ambos atrapalhando o turfe
E que 2012 traga, afinal, a libertação do Jockey Club Brasileiro do jugo a que ele hoje está submetido. É o mínimo que o Novo Ano poderá trazer de bom para o centenário e digno clube.
ACPCPSI
Diretoria