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Novembro | 2011

JCB: Em AGO tumultuada, sócios aprovam contas de 2010
25/11/2011 - 05h04min

Em uma assembléia longa e tumultuada, realizada nesta 5. feira, a diretoria do JCB teve suas contas do último ano aprovadas por 109 a 76 votos.

Já no início dos trabalhos percebeu-se que o clima da reunião seria tenso, pois os sócios demoraram mais de 2 horas para decidir quem presidiria a Assembléia, que ao final coube ao Dr. Luiz Octávio da Motta Veiga.

Após explanação do presidente do clube sobre as contas em exame, foram abertos os debates e vários sócios se  inscreveram para falar.

O primeiro deles foi o Sr. Heitor José de Souza, questionando a transparência das contas, informando que solicitou saber, dentre outras coisas, os salários de funcionários contratados na gestão Lecca em substituição a servidores antigos e queridos pelos associados. Da mesma forma, disse ter solicitado o número de vagas cedidas gratuitamente na garagem do prédio do centro da cidade e, se possível, conhecer a relação dos beneficiários. Informou que solicitou por diversas vezes por e-mail para a ouvidoria, bem como para a presidência, sem que tivesse  obtido qualquer resposta.  Alegou que como sócio teria o direto de saber de tais informações negadas pela administração atual e a indisponibilidade das mesmas o levavam a não aprovar as contas.

O segundo a se manifestar foi o sócio Luiz Fernando Dannemann, que informou que o seu objetivo não era a reprovação das contas, mas a correção das mesmas, tendo em vista erros na contabilização dos valores relacionados ao contrato entre o JCB e a Codere. Ele informou aos presentes  que o clube está sendo envolvido em processo já em curso na Polícia Federal, sobre possível cometimento de crimes contra o sistema financeiro nacional. Em sua opinião, com a sequência das investigações, o clube poderá ser severamente atingido. Além disso, afirmou que a CODERE pratica o jogo bancado, o que é ilegal no país.

A seguir quem se manifestou com ênfase e propriedade, foi o sócio Antonio Quintella, que, de forma descontraída e polida, extraiu do presidente Lecca a informação de que o clube não audita, concretamente, o MGA da Codere, apenas acatando os valores que lhe são informados, fato este que causou um constrangimento ao presidente Lecca face a reação dos presentes. Citou igualmente que as provisões trabalhistas estão fora da realidade, pois em apenas uma das centenas de causas o próprio JCB propôs ao denunciante acordo para pagar R$ 600 mil, valor não aceito, e que corresponde a mais de 60% da provisão constituída.

Cláudio Ramos fez o discurso mais inflamado e emocionante da noite, defendendo o turfe e questionando o presidente Lecca sobre a forma com que vem tratando essa atividade, especialmente ao permitir que a Codere dispute com o próprio clube uma clientela de apostadores arduamente conquistada ao longo da história do JCB. Chamou também a atenção de todos para o fato do jogo na Codere ser bancado, o que contraria a legislação brasileira.

Já o sócio Jorge Vannier Ribeiro Alves, em uma excepcional análise técnica do balanço, informou que o JCB infringe a legislação contábil pertinente, por não contratar e muito menos apresentar um parecer efetivo de auditores externos, mas sim uma revisão limitada das práticas que utiliza, cujo escopo é, naturalmente, muito mais superficial. Chamou atenção para a relevância dos valores enquadrados como ”diversos”, “outros” e “terceiros”, que totalizaram mais de R$ 50 milhões, o que exigiria, obviamente, maior abertura para uma análise mais acurada da destinação dos recursos do clube.

De outra parte, um sócio pediu a palavra para dizer que estava ali somente para a aprovar as contas, dispensando novas e quaisquer outras informações.

Tendo em vista, a “sinuca de bico” em que estava se enquadrando as contas da gestão Lecca,  e quando a palavra havia sido concedida ao sócio Luis Felipe Brandão dos Santos, um dos presentes que sequer se identificou, partidário da gestão Lecca, solicitou ao presidente da mesa, Dr. Motta Veiga, que fosse iniciada a votação simultaneamente à manifestação do sócio Luis Felipe. Surpreendentemente, face a situação delicada que estava se avizinhando, o presidente da AGO concordou com a sugestão, estabelecendo-se grande confusão no auditório, posto que imediatamente muitos associados favoráveis ao presidente Lecca se levantaram para votar, enquanto o Luis Felipe e o presidente Lecca debatiam pontos extremamente graves das contas em exame. Segundo o sócio Luis Felipe, apesar da faxina efetuada em ativos fictícios que o clube vinha apresentando em anos anteriores, do lado do passivo o reconhecimento de uma dívida de R$ 103 milhões agora incluída, era insuficiente. Embora fosse um progresso, era muito pouco em relação ao valor que efetivamente deveria ser contabilizado, pois a própria diretoria informara aos sócios, em impresso especial, que a dívida do clube com o ISS era superior a R$ 660 milhões, dois terços dela já em fase de execução. A mesma omissão de passivos relacionados ao IPTU estaria ocorrendo, de novo com a omissão de dívidas equivalentes a centenas de milhões de reais. Também a forma como foi procedida a reavaliação de ativos foi objeto de crítica, por não atender à boa prática contábil.

Em meio a grande confusão instaurada, muitos sócios em pé, a maioria pró aprovação de contas, já faziam filas para votar, outros sócios tentavam ainda expor suas opiniões. Nesse clima melancólico, alguns associados ainda tentaram fazer breves depoimentos sem que pudessem ser ouvidos pelos que ainda estavam sentados devido ao barulho e a algazarra predominante no auditório, antes que fosse iniciada a apuração dos votos.

A lamentar, principalmente, a forma como o experimentado presidente da AGO, Luiz Octávio da Motta Veiga conduziu os trabalhos, deixando que se estabelecesse absoluta confusão na parte final dos debates da Assembléia, foi objeto de dura critica formalizada pelo sócio Luiz Fernando de Freitas Santos, que chamou a atenção do plenário para o desrespeito para com o sócio Luis Felipe e o próprio presidente do clube, que ainda lado a lado debatiam os questionamentos apresentados, bem como para todos os sócios presentes.

Diante de um grande tumulto, de insatisfação por parte dos contrários à aprovação de contas e de alívio por parte dos que desejavam a aprovação, cerca de 20% dos sócios presentes se retiraram, abandonando o local de votação.

Uma vez terminada a votação, foi realizada a sua apuração que concluiu pela aprovação das contas de 2010.

Cabe salientar, que a votação teve o acompanhamento de um notário, por determinação judicial, que verificou as anormalidades acontecidas, principalmente no que tange ao cerceamento das opiniões de sócios quanto às irregularidades das contas apresentadas. É importante também que se registre que o notário ao solicitar a gravação da assembléia, teve seu pedido negado, porém, este comunicou-se com o Juiz e por ordem judicial o JCB teve de entregar a gravação da assembléia.

Diante destes registros, ainda cabe saber se teremos uma terceira AGO para aprovar ou não as contas do JCB de 2010?

da Diretoria



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