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Novembro | 2011

Barão da Cevada: o triste adeus de um campeão
17/11/2011 - 16h59min

Gerson Martins

Barão da Cevada consagrando-se no Major Suckow

O palco estava preparado. Mesmo com o dilúvio que cobriu Cidade Jardim na última terça, e a conseqüente transferência de pista do Grande Prêmio Proclamação da República (gr.II), o turfista aguardava ansioso por uma nova aparição do então melhor velocista do Brasil, Barão da Cevada. Um previsível ritmo intenso da competição, desde o seu início, aumentava ainda mais as possibilidades do bonito castanho escuro no páreo, uma vez que, por característica própria, o seu forte sprint final foi sempre o seu principal trunfo. E de fato as expectativas se confirmaram, com os animais buscando freneticamente a dianteira, logo após a partida.

Mas eis que, durante o contorno da última curva, os turfistas prenderam a respiração por um instante: os olhos que cuidavam os movimentos de Barão da Cevada, tão logo puderam perceber que algo estava errado com o campeão. Já com o piloto Waldomiro Blandi sofreando o seu pilotado por completo, Barão da Cevada, visivelmente lesionado, abandonava a prova. Se encerrava ali uma campanha de ascensão meteórica, e que encantou o Brasil neste ano de 2011. Se encerrava ali a missão em terra de mais um belíssimo corredor, que, por maior que seja a atmosfera trágica da situação, morreu honrando a sua vocação, tal qual um autêntico guerreiro.

A história de Barão da Cevada começou a ser escrita 5 anos atrás, com o Stud Eternamente Rio, coudelaria criadora do animal. Tendo acreditado no potencial do PSI brasileiro, Luis Felipe Brandão dos Santos entregou a matriz Hagila (Hampstead) aos serviços do nacional Voando Baixo, e deste cruzamento nasceria, em 2 de Agosto de 2006, o cavalo tema deste texto. E nas palavras do próprio Luis Felipe, desde muito cedo se tinha em Barão da Cevada um ser especial. “Desde o seu nascimento o Barão da Cevada foi o potro mais bonito dentre aqueles que criamos na sua geração. E com o seu crescimento ele continuou a se mostrar o mais forte, o mais saudável”.


Vitória na estréia em Prova Especial em SP

Estreando com vitória na Prova Especial Jayme Torres – sob os cuidados de Luis Esteves – no ano de 2009, Barão da Cevada ficou ausente das competições por 11 meses. Em 2010, ainda que produzindo atuações razoáveis, o parelheiro acabou não correspondendo às altas expectativas nele creditadas, espelhadas em sua chamativa estréia. Comercializado num leilão de treinamento do Stud Eternamente Rio, Barão da Cevada foi adquirido pelo Haras The Best e se transferiu para o Rio de Janeiro. E de bom cavalo em Cidade Jardim, Barão da Cevada, em questão de apenas 6 apresentações, se transformaria no melhor velocista da Gávea em 2011. Aliás, em pistas cariocas, o valente corredor não foi derrotado uma única vez sequer, sendo que o ápice de sua trajetória se deu no internacional Grande Prêmio Major Suckow (gr.I). Esnobando a furosemida, o pensionista de Carlos Henrique Coutinho derrotou o não menos qualificado Desejado Thunder, em laurel memorável.

Portanto, podemos dizer que Barão da Cevada foi muito mais do que um cavalo na vida de muita gente. Representante de duas simpáticas coudelarias, cujos investimentos são de veras importantes para o turfe brasileiro na atualidade, este campeão da velocidade, apesar do final triste, não será esquecido tão cedo pelos turfistas do nosso país. A um legítimo craque, eis esta singela homenagem do Raia Leve.

por Victor Corrêa



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