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Novembro | 2005

A Tríplice Coroa Brasileira, uma proposta factível
24/11/2005 - 12h28min

Em todo o mundo desenvolvido, e até mesmo nos países em desenvolvimento, com exceção do Brasil, existe apenas uma Tríplice Coroa. Aqui, tínhamos no passado a Tríplice Coroa Carioca, na segunda metade da campanha dos 3 anos. Havia uma explicação para isto: é que no início do século passado os potros tinham um amadurecimento tardio, e como o Jockey Club Brasileiro era o hipódromo mais importante da época, optou por colocá–la dessa forma.

Anos após, não restando outra opção ao Jockey Club de São Paulo, este criou a sua Tríplice Coroa na primeira metade da campanha dos 3 anos. Sem querer, a sua Tríplice Coroa ficou, no passar dos anos, na posição mais adequada, equivalendo–se às demais do mundo afora. Hoje, com as melhorias na criação do PSI, no que diz respeito à alimentação, pastagem, manejo etc, o cavalo de corrida passou a atingir a maturidade mais cedo. Hoje, um PSI recém–virado de 2 para 3 anos é muito mais maduro do que no início do século passado. Sendo assim, a colocação da Tríplice Coroa na primeira metade da campanha dos 3 anos, é a mais correta do ponto de vista técnico.

A minha proposta para termos apenas uma Tríplice Coroa Brasileira é a seguinte:

Tanto a Tríplice Coroa de Produtos, como a Tríplice Coroa de Fêmeas seriam disputadas nas seguintes distâncias e pista: 1.600 metros, grama; 2.000 metros, grama; e 2.400 metros, grama.

Módulo A:
1ª prova Produtos – GP 2000 Guinéus
2ª prova Fêmeas – GP Diana
3ª prova Fêmeas – GP Criadores

Módulo B:
1ª prova Fêmeas – GP 1000 Guinéus
2ª prova Produtos – GP Jockey Club
3ª prova Produtos – GP Derby Brasileiro


Em um mesmo ano, num hipódromo, seriam disputadas as provas do “Módulo A”, enquanto, no outro, as do “Módulo B”. No ano seguinte, seria alternado: ou seja, aquele que teve a disputa do “Módulo A” faria a do “Módulo B” e vice–versa. A razão disso é que um hipódromo terá o GP Diana e o outro o GP Derby Brasileiro, de forma alternada, pois são as principais provas da geração.

As datas das disputas seriam, todos os anos, as seguintes:

Fêmeas:
1ª prova – 3° domingo de agosto
2ª prova – 3° domingo de setembro
3ª prova – 3° domingo de outubro

Produtos:
1ª prova – 1° domingo de setembro
2ª prova – 1° domingo de outubro
3ª prova – 1° domingo de novembro

Este sistema mostrou–se mais adequado por exigir duas viagens para os produtos alojados no hipódromo da disputa do “Módulo A”, e apenas uma viagem para os preparados no hipódromo que esteja realizando o “Módulo B”. Resumindo, o potro e/ou a potranca fariam no mínimo uma viagem e, no máximo, duas.

Esta sistemática mostrou–se melhor do que ter todas as provas de produtos em um hipódromo e todas as de fêmeas em outro, alternadamente, pois, uma potranca ou um potro, que não estivesse no hipódromo da disputa, teria que viajar três vezes ao invés de duas ou uma vez.

Para os Jockeys Clubs (Rio e São Paulo) haveria uma redução de despesas de prêmios pela metade, pois ao invés de cada clube gastar com seis provas de Gr.1 (três para a Tríplice Coroa de produtos e outros três para a de Fêmeas), totalizando, juntos, 12 (doze) provas de Gr.1, JCB e JCSP iriam gastar apenas o equivalente a  três provas de Gr.1, cada.

Um outro aspecto importante, e que não deve gerar discussões, é quanto à nomenclatura dessas provas. Na minha opinião, elas não deveriam ter nomes de pessoas vivas ou mortas, e sim, nomes com significado internacional (a fim de que possam ajudar as pessoas estrangeiras a ter um melhor entendimento do turfe brasileiro, assim como, contribuindo para valorizar a nossa exportação), e que possam se perpetuar, criando uma tradição, principalmente também, por terem elas o caráter rotativo entre Rio e São Paulo. O nome da prova não muda; muda apenas o local da disputa.

por José Carlos Fragoso Pires Júnior

NR: Artigo publicado em abril/05, no Jornal do Turfe

 



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