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Junho | 2011

Entrevista com Edson Amiune, titular do Stud Rancho Palumar
14/06/2011 - 17h18min

Arquivo pessoal

Edson e sua família na foto da primeira vitória da farda

Edson nasceu na cidade do Rio de Janeiro, mas na cidade de Miguel Pereira foi onde viveu a maior parte de sua infância. Sempre apaixonado por cavalos, desde cedo desejava ter seu próprio animal. "Desde pequeno gostava de cavalos, pedia sempre ao meu pai para comprar um para mim, pé–duro no caso, mas não tínhamos espaço para mantê–lo, então quase todos os domingos meu pai alugava cavalos de passeio na lagoa de Javari, desde que eu me comportasse bem durante a semana e estudasse".

Os anos foram se passando, e por influência de seus tios Michel e Nicole, no ano de 2007 Edson passou a frequentar o Hipódromo da Gávea. Logo adquiriu a égua Sarah Lady, que foi treinada por Renan Marques e lhe presenteou com um segundo lugar. Daí então, após este estímulo, estava fundado o Stud Rancho Palumar, cujo nome é uma homenagem aos seus filhos e netos seguindo de iniciais: (P)aula, (A)ndré, (LU)ciano, (MA)riana e (R)afael.

RL– Conte–nos quando e como foi a primeira vitória da farda.

EA– A primeira vitória do Stud Rancho Palumar foi conseguida através da lindíssima égua Indina (Fritz e Wtich Connection), criação de Fabio Linck Waihrich, treinamento de SL.Silva e condução de Jean Pierre em 5 de Outubro de 2007.

A vitória foi mais marcante devido o páreo ter ido a julgamento, adiando a nossa explosão de alegria. Mas por fim, foi muito saboroso. A Indina tinha problemas de curvilhão, boletos, joelhos e etc. Mas em matéria de beleza, ganhava qualquer concurso. Atualmente ela se encontra nos pastos do Rancho Palumar.

RL– Edson, nos diga qual foi a maior alegria que o turfe lhe proporcionou nestes 4 anos de Palumar.

EA– Sem dúvidas, ver seu cavalo participar de um páreo, desfilando na raia com sua farda já é um prazer muito grande. Mas a maior alegria mesmo é ver seu cavalo vencer. A comemoração com a família, com os amigos... Aquilo te enche de orgulho de uma forma inexplicável. Faz você se sentir o máximo.

A nossa primeira foto da vitória poderia concorrer o Guiness pela quantidade de pessoas que haviam no foto.

RL– Quais são as maiores dificuldades enfrentadas por um proprietário atualmente?

EA– Seria uma injustiça dizer aqui que a maior dificuldade é o preço do trato, porque de forma alguma poderia ser menor. Mas dizem que a relação prêmio/trato já foi bem mais favorável, porém hoje, se você descontar IR, fotos, revista e etc. não sobra quase nada. Matematicamente, como não dá pra diminuir o denominador temos que aumentar o numerador. Se essa relação fosse mais favorável com certeza o Stud teria mais defensores.

Se você tiver a infelicidade de ter que sacrificar um animal, como eu tive (Veludo Azul, que quebrou as duas patas na pista), ou ter que operar um animal, que eu também tive, aí então é que a conta cresce. A injeção letal custa quase o preço de um trato mensal. Um absurdo!... Cremação, centro cirúrgico... Tudo um absurdo! Ou seja, ganham dinheiro com a desgraça alheia. 

Esses tipos de insumos deveriam ser cobrados a preço de custo com apenas um pequeno acréscimo. Isso talvez diminuiria um pouco o superavit de caixa, mas seria mais justo.

Eu diria que no JCB, nas horas das despesas somos um turfe rico, e na hora das receitas somos um turfe pobre. Acredito que para alguns proprietários isso não seja problema, mas para o nosso caso é.

RL– Qual a sua opinião com respeito à atual gestão do JCB?

EA– Leio bastante o Raia Leve, e pude perceber que existe muita gente, inclusive pessoas conceituadas, insatisfeitas com a atual gestão.

O clube com 14 milhões em caixa poderia fazer umas poucas coisas que melhorariam e muito o estado do "ex–belo hipódromo" da Gávea. Fico pensando, se algum dia ainda vou ter o prazer de ver aquele muro que é quase uma obra de arte, pintado. Isso não custaria quase nada.

RL– Quais são os atrativos necessários para levar os jovens ao hipódromo?

EA– No mínimo um hipódromo limpo, seguro, com banheiros e restaurantes higiênicos, onde eles possam levar seus amigos para ver os cavalos dos pais correr, sem sentir vergonha das instalações. E, claro, algumas atividades típicas de jovens, as quais já esqueci faz tempo.

Poderia ser criada uma diretoria formada por jovens (e nós temos bons candidatos), para incentivar a presença deles. Acho fundamental que seja feito um esforço nesse sentido, a entrada de jovens na atividade, uma vez que a idade média dos turfistas está ficando muito alta, o que pode ser facilmente constatado nas tribunas.

RL– Dentre as muitas necessidades presentes no JCB, o que lhe faz mais falta?

EA– Meu passado é muito recente, digamos que já entrei na fase ruim. Mas acho que um maior público, como no passado, tornaria as corridas mais emocionantes.

A jovem Jéssica Dannemann escreveu recentemente um artigo no Raia Leve com ótimas sugestões para divulgar o turfe, homenageando os ídolos brasileiros. O fato de ser oposição não significa que sua sugestão não possa ser corrida.

Só com os familiares e fãs presentes já encheríamos grande parte das tribunas.

RL– Qual o melhor animal que o senhor assistiu correr?

EA– Como disse há pouco, apesar da idade, sou um turfista recente. Mas no passado lembro do Itajara e do Boticão de Ouro. E atualmente gosto muito do Desejado Thunder.

Acho que estes craques precisam ser divulgados, com certeza atrairiam mais público.

RL– E jóquei?

Pelo número de vitórias e prêmios conquistados é inegável que seja o J. Ricardo. 

Aqui na Gávea estamos com um time muito bom de jóqueis e aprendizes. Somos gratos a alguns que nos proporcionaram algumas vitórias: Jean Pierre, M. Aurélio, M. Almeida, A.M.Silva, H.Fernandes, V. Borges, C. Henrique, I. Correa. e etc.

RL– Treinador?

EA– Somos gratos ao S.L Silva, O.Loezer, R. Marques e principalmente ao Robertinho (R.S.Silva) que nos proporcionou a maioria de nossas vitórias. Todos eles muito bons apesar de não terem ainda a  projeção merecida. Além deles temos os consagrados Sampaio, Nahid, Guignoni, Morgado e outros, com os quais ainda não tivemos relacionamento.

RL– Nos diga qual é seu maior xodó.

EA– A égua que mais nos apegamos foi a LIZ HELP, que pegamos magrinha e fraquinha, mas a recuperamos e ganhamos 4 com ela. Infelizmente, como stud pequeno, colocamos no Claiming e a levaram. Só de pensar eu fico muito triste.

RL– Quais são seus maiores desejos no turfe? 

EA– O meu maior desejo palpável, face ao nosso nível de investimento na atividade, é ganhar pelo menos um páreo especial. Brinco com o treinador que ainda vou entrar naquela salinha e pegar uma taça, no mínimo. mas se o turfe nos permitir um maior investimento quem sabe uma prova de grupo. 

RL– O que o senhor espera do próximo GP Brasil? 

EA– Espero um campo cheio, se possível com cavalos internacionais e as tribunas lotadas face à propaganda feita pelo JCB através daqueles 14 milhões em caixa. Um bom momento para divulgar o turfe é por ocasião do seu evento máximo. 

Atualmente, temos no país grandes empresas e empresários que colaboram na recuperação de alguns patrimônios, despoluem lagoas, reformam igrejas, marinas, e com certeza patrocinariam um GP Brasil e o nosso turfe como um todo. Um GP Brasil lotadíssimo seria muito bonito.

RL– Para o senhor, o que realmente movimenta o turfe atualmente? 

EA– Acho que no nosso turfe, é exclusivamente o amor à atividade. Aqui, turfe não dá lucro ou melhor nem empata. É literalmente o Esporte dos Reis.

RL– Para finalizar, nos diga quais são suas expectativas para o futuro do turfe no Brasil? 

EA– Espero que consigamos uma próxima administração de turfistas, que dê o merecido valor à atividade. Acho que não precisamos de gênios empresariais e sim dirigentes com sensibilidade que consigam sentir que no Jockey Clube Brasileiro o mais importante é o turfe e não o lucro. Precisamos diminuir esse superavit de caixa e ser mais justos com criadores, proprietários, treinadores, cavalariços e todos os envolvidos na atividade, e também zelar pelo patrimônio do clube. Não adianta fazer caixa com demissões em massa e dilapidando as instalações do clube.

por Eluan Turino



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