Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, ou apenas Chico Anysio, consagrado e querido, é um dos símbolos do humor no país. Nascido em Maranguape, Ceará, no dia 12 de abril de 1931, tem mais de 50 anos de carreira. Casado seis vezes, com sete filhos, criou 209 personagens, um dos primeiros o Professor Raimundo, que “nasceu” em 1952 e encantou gerações. Chico veio para o Rio com 8 anos e desde pequeno fazia imitações. Participou de vários programas, ganhando todos. Chegou a ser proibido de concorrer.
Foi comentarista esportivo, adora pintar (faz uma média de 300 quadros por ano), tem 15 livros editados e outros tantos ainda por lançar. Apaixonado pelo turfe, teve duas fases distintas como proprietário. Hoje, responde pelo Stud Chico City II e ainda mantém sociedade com vários amigos, principalmente no plantel de potros para o próximo ano. O grande craque do humor é o nosso entrevistado da semana.
Chico, qual foi seu primeiro contato com o turfe?
Aconteceu no GP Brasil de 1943, quando eu tinha 12 anos. Levado por meu pai, fiquei encantado com aquilo. Depois, passei a freqüentar habitualmente o Hipódromo da Gávea, com amigos.
Quando aconteceu sua primeira participação como proprietário?
Foi na mesma ocasião da estréia do programa Chico City, em 1973. Comprei alguns cavalos e entreguei–os ao treinador Roberto Morgado, pai do Bebeto. Tive bons corredores, entre os quais posso destacar Aritemp, Obena e a égua Partida, do Mondesir.
Você passou um longo período afastado. Por quê?
Minha mulher, na época, não gostava de cavalos e reclamava muito. Para evitar conflitos conjugais, preferi me afastar.
O Stud Chico II reapareceu em 2002 e com toda a força. Essa fase foi melhor?
Sem dúvida. Tive mais cavalos desta vez e dois deram muitas alegrias: New Export e Miss Valentina. Mas, mesmo vencendo um páreo comum, a alegria é muito grande. Emoção, que certa vez, numa entrevista a você mesmo, comparei a dor no rim. Uma coisa única.
Você tem realizado alguns leilões para diminuir o plantel. Qual a razão?
Tenho em torno de 60 potros para o ano que vem. Preciso diminuir, ainda que cerca de 50 sejam em sociedade. Trouxe para o turfe os amigos Eduardo Gomes de Azevedo, com quem abri o Stud Anna Aslam City, e Adilson Monteiro Alves, que foi diretor do Corinthians. Como sou palmeirense, criamos o Stud Gaviões do Palestra.
Como você vê, neste momento, o turfe?
Com muita pena, pois não enxergo o menor futuro com a atual administração. Só os apaixonados continuam mantendo cavalos. Outro dia cheguei ao Jockey, dei uma olhada geral e o mais novo entre os presentes era eu...
Você recebeu homenagens dos Jockeys de São Paulo, Campos e São Vicente. Como se sentiu?
Muito honrado, pois é um reconhecimento após tantos anos de carreira e de participação no turfe. Fiquei triste de não ter comparecido no dia do Derby, em São Paulo, quando receberia do presidente Márcio Toledo o título de sócio benemérito do clube. Adoeci durante as gravações do Sítio do Pica Pau Amarelo.
E essa parceria do JCB com a empresa Codere?
Pode dar certo, desde que as coisas sejam feitas como devem. No Uruguai existe coisa parecida e está funcionando. Aliás, tenho 12 cavalos por lá, com o Ricardo Colombo, e estou mandando mais quatro. Os prêmios são melhores do que os nossos e a despesa é menor.
Você chegou a pensar em manter um plantel bem maior em Maroñas?
De fato, mas o problema é a burocracia. Cheguei a reclamar com meu amigo Ciro Gomes para ver se diminuía a papelada. Além disso, o transporte sai muito caro.
A Associação Carioca de Proprietários de Cavalos PSI tem inúmeras propostas para melhorar as condições do turfe carioca. Você acredita que os resultados virão?
Sinceramente, não. Sei da luta do Luis Felipe e de todos na busca por conquistar melhores condições. O problema é que com a atual administração, a bola bate na parede e não volta.
Chico, na atual novela das oito, na Globo, o Lima Duarte faz um turfista. Como você vê isso?
Com muita preocupação, pois o personagem do Lima vai falir por causa das corridas. E isso é muito ruim para a já desgastada imagem que o turfe tem no país. Ele, como turfista e proprietário de cavalos, poderia até ter tentado mudar a coisa. O Sílvio de Abreu não tem culpa, deve ser mais um a ouvir que no Jockey todos acabam perdendo tudo.
Você tem ido pouco ao Jockey, mas está sempre ligado, não é?
Claro, assisto tudo da Gávea e de Cidade Jardim. Aliás, a transmissão que eles fazem por lá é muito boa. Informativa e direcionada aos apostadores, que são os responsáveis diretos pela arrecadação. Aliás, como é bom este Casella. Impressionante.
Chico, finalmente, o que é preciso para o turfe brasileiro voltar a brilhar?
Vou dar uma resposta curta e definitiva: não sei.
por Marco Aurélio Ribeiro