No decorrer desta semana, o Raia Leve entrevistou o proprietário Marcelo Beloch. Seguidor do amor que seu pai tem por cavalos, o jovem deu sequência à história da família no turfe.
RL: Conte–nos como se iniciou a sua história no turfe e o que a motivou.
MB: Tudo começou com meu pai, Carlos Beloch, que desde pequeno vinha ao Hipódromo da Gávea trazido por seu tio. Aos 20 anos, junto com um amigo ele fundou o Stud Dois Mil, que daí eu e meus irmãos começamos a frequentar o JCB desde crianças acompanhando os cavalos, primeiramente do Stud Dois Mil, depois em nossa homenagem Stud BPM Giants e agora Stud BL.
RL: Quando surgiu seu Haras/Stud? O que motivou sua criação?
MB: O Stud BL é bem recente se não me engano de 2008, mas o Stud BPM Giants começou em 1989. Os nomes como disse antes BPM em homenagem aos três irmãos Bruno, Priscila e Marcelo e depois BL, que é uma piada particular da família.
RL: Nos diga qual foi, ou é, a sua maior alegria no turfe?
MB: A mais prazerosa alegria é sempre vencer. Mas por incrível que pareça as nossas maiores alegrias foram 2 segundos lugares. Um com a égua Quelf que foi 2º no GP Diana de 1990, perdendo por cabeça para Uneasy Plum, uma craque do Araras. A outra foi mais recente no GP Gervásio Seabra de 2007, preparatória para a milha internacional, nosso Only Solution foi segundo por diferença mínima para Glória de Campeão, que mais tarde o mundo conheceu.
RL: Quais foram e quais são as maiores dificuldades enfrentadas por um proprietário. Existe hoje, uma soma maior de barreiras e obstáculos para seguir no turfe?
MB: Nós somos proprietários pequenos, aliás sempre fomos. A dificuldade maior é a relação prêmio x trato. Hoje é muito difícil ganhar um páreo na gávea, mas o trato tem que ser pago todo fim do mês.
RL: O senhor concorda com o que tem sido dito, que as administrações atuais contrariam de fato os interesses dos proprietários?
MB: Concordo em parte, acho que essa administração atual, tem seus erros e acertos. Não vou ficar listando aqui o que foi feito ou o que deveria ser. Espero que nas próximas eleições, um candidato realmente vindo do turfe, que goste de turfe seja eleito, e não uma figura que queira se auto promover às custas do JCB.
RL: Em seu ver, por qual motivo não existem muitos jovens nos hipódromos?
MB: Por esse motivo, falta de compromisso com a qualidade e a organização do evento. O que tem que se levar em consideração é que cada reunião é um evento esportivo. Portanto deve ser encarado como tal. Parece que tudo está no automático, eles apertam um botão e pronto tudo funciona, mas as coisas não são assim. Se não houver renovação, um dia vai acabar.
RL: Quais são os atrativos necessários para levar os jovens ao hipódromo?
MB: É muito fácil falar e difícil fazer, mas não precisamos ir muito longe, é só atravessar a raia, lá na reta oposta tem um restaurante chamado Victoria, tá sempre cheio, inclusive em dias de corrida. Por que não trazemos bares, restaurantes, quiosques e etc. para o lado de cá do hipódromo. Só em dia de derby, não adianta nada.
RL: Olhando para o passado, o que lhe faz sentir saudades?
MB: O que mais me dá saudade é o hipódromo cheio. Frequento o hipódromo invariavelmente e é muito triste vê–lo assim, meio que largado.
RL: Qual o melhor animal que o senhor já presenciou correr?
MB: Acho que Itajara. Vi todos os páreos que ele correu, inclusive a estréia em 1100 na areia.
RL: Qual foi e qual é o melhor jóquei da atualidade?
MB: Desde a época que frequento Juvenal, Ricardinho e Goncinha; hoje gosto muito do Dalto e do Mazini.
RL: Qual foi ou é seu maior xodó?
MB: Nosso maior xodó é sem dúvida o Nabucão. Cavalo incrível correu 26 vezes com 10 vitórias e 11 segundos. Mandamos fazer até um quadro pintado a mão, do nosso querido Nabucão.
RL: Qual o Grande Prêmio que ficou marcado em sua memória?
MB: Como disse antes o GP Diana de 1990, Gervásio Seabra de 2007, mas sem dúvida o GP Oswaldo Aranha de 1990 que ganhamos com a Quelf. Criação do Haras Nacional, filha de Clackson. Também teve o Clássico das Américas de 1989, que ganhamos com Ange Gardien, foi a primeira vitória do M. Cardoso num clássico.
RL: Quais são seus maiores desejos no turfe?
MB: Desejo dirigentes mais competentes e compromissados com o que é o turfe de verdade. Talvez profissionais.
RL: Para o senhor, o que realmente movimenta o turfe atualmente?
MB: O que movimenta ainda é a paixão. Vejo que sem nenhuma criatividade dos dirigentes ainda temos um movimento de apostas em torno de 1 milhão de reais por reunião. Imagina se realmente investissem, com criatividade e competência.
RL: Quais são suas expectativas para o futuro do turfe no Brasil?
MB: As expectativas são as mesmas de todos. Que esta próxima eleição possa nos brindar com uma diretoria mais comprometida no crescimento da atividade turfística, seguindo os passos de São Paulo.
por Eluan Turino