O Brasil é conhecido como um dos países mais ricos do mundo, quando se trata de grandeza e beleza territorial. E em meio à todas as regiões, climas e culturas deste país originalmente diverso, está o turfe. O esporte chamado de "Esporte dos Reis" em um país colonizado, explorado e abandonado pelas monarquias europeias, poderia ter sido deixado de lado pelas inúmeras culturas que aqui existem. Mas a paixão que as corridas de cavalo provoca em suas vítimas é fatal, seja qual for sua cultura, classe ou gênero.
Hoje, existem hipódromos em diversos dos estados brasileiros, e há 75 anos, em meio a tradição militar que dominava a cidade de Goiânia na década de 30, nasceu o Jockey Club de Goiás. Onde atualmente são realizadas reuniões turfísticas quinzenalmente, com a presença de dezenas e centenas de apaixonados. E entre estes, está o Sr. Artemar Marra de Castro, de 48 anos de idade, natural da própria Goiânia.
Tendo em seu sangue a paixão pelo esporte, Artemar começou a frequentar o prado aos seus 8 anos de idade com seu pai, Amar Marra de Castro, que era proprietário de cavalos que não só atuavam em Lagoinha, mas também no Jockey Club de Brasília–DF, no Jockey Club de Ipamerí–GO e no Jockey Club de Paracatú–MG, prados estes, atualmente fechados.
De farda dourada com bolas negras, se vestiam os jóqueis que conduziam a Tríplice Coroada do Planalto Central Dona Margarida, filha de Itsawonder (EUA) e Fimbria, criação do Haras Brasil Central. Numa disputa que haviam animais de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal entre outros, vencia a tordilha, sendo este um dos maiores feitos dos inúmeros animais do saudoso pai de Artemar.
RL: Prezado Artemar, conte–nos mais agora sobre a sua história. Quando comprou seu primeiro animal? O que o motivou?
AMC – O que me motivou foi essa paixão e emoção que o turfe nos proporciona, juntamente com a história de meu pai, que me fez sentir a obrigação de prossegui–la.
Minha primeira aquisição aconteceu quando eu e mais dois amigos tivemos a ideia de criar o Stud Vitória. Daí compramos o animal Xistando. Porém pouco tempo depois a sociedade foi desfeita e tive de vender o animal. Mas em seguida, aí sim, adquiri meu primeiro animal de verdade, que foi o Faustus, castanho, filho de Fast Gold. Partindo deste momento junto com meu irmão criei o Stud Mano a Mano.
RL: Nos diga quais foram as suas maiores alegrias no turfe?
AMC: Sem dúvida minhas maiores alegrias no turfe foram todas as vitórias dos animais de meu pai, e estar com ele nas fotos e comemorações. Já atualmente, são as nossas vitórias do Stud Mano a Mano, precursores da farda e estilo de meu pai.
RL: Quais foram e quais são as maiores dificuldades enfrentadas por um proprietário. Existe hoje, uma soma maior de barreiras e obstáculos para seguir no turfe?
AMC: No nosso caso aqui de Goiânia, ou seja, no JCG/Hipódromo da Lagoinha, e que é o único prado oficial em funcionamento no planalto central, e que tem a Carta Patente nº 001/MA, foi, e ainda, é, a falta de apoio, fomento à criação e projetos para manutenção dos atuais proprietários do PSI, e ainda a consequente conquista de novos proprietários para o turfe. Penso que estes itens não são só barreiras e obstáculos do turfe de Goiás, mas sim, de todo turfe nacional.
Mas, nem tudo é notícia ruim, vejamos, apesar de todas as dificuldades atuais do turfe em Goiás–GO o JCG/Hipódromo da Lagoinha, ainda respira e tem uma tendência de crescimento, fortalecimento e auto sustentabilidade. No momento, estamos passando por uma transição de Diretoria e comando do JCG/Hipódromo da Lagoinha, a ACPCCGO composta por pessoas sérias e comprometidas com as coisas e assuntos do turfe está se organizando e projetando para alavancar e tornar o turfe goiano como uma das melhores e mais atrativas praças esportivas, de lazer, convivência e também de turismo para a cidade e o Estado de Goiás. Onde como um dos resultados destas ações e um dos grandes feitos nos últimos anos de luta destas pessoas comprometidas com o turfe goiano, podemos ressaltar a conquista da Lei Municipal que estabelece que a área territorial, bem como, as estruturas do JCG/Hipódromo da Lagoinha sejam reconhecidas e tombadas como Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Goiânia, preservando assim, a sua essência e finalidade, bem como, de prezervar um dos maiores patrimônios de todos nós goianos.
Este grande feito teve a participação impar do Sr. Jorge Luiz Ramos Caiado nosso então Presidente de Turfe e também da Diretoria da ACPCCGO, que não pouparam esforços, juntamente com outras importantes pessoas do turfe goiano, de Brasília e de Minas Gerais, enfim, de todo planalto central.
RL: Olhando para o passado, o que lhe faz sentir saudades?
AMC: Sem dúvida alguma, acho que o turfe antigo, ou melhor, o do passado, era mais atraente. Tínhamos vários e muitos proprietários participando de nossas programações, criadores do PSI entusiasmados com suas crias, dos studs renomados, das belas coudelarias e dos excelentes haras, e ainda, das grandes programações turfísticas vespertinas e noturnas, onde nobres e belos animais sempre se apresentavam imponentes e atleticamente no último furo, e o mais importante, não tínhamos a concorrência desleal da TV, dos shows e etc.
RL: Qual o melhor animal que o senhor já presenciou correr?
AMC: Acho que seria um pecado mortal citar apenas um animal, por isso vou citar dois que fizeram apresentações aqui no JCG/Hipódromo da Lagoinha, e que foram, o Contra Ataque um filho de Itsawonder (USA) e Dauphine criação do Haras Margarida, e o El Remanso um filho de Elpenor (FRA) e Rampa, criação do Sr. Breno Caldas. Agora sem dúvida alguma, o grande nome do turfe brasileiro e para mim do turfe mundial é o belo animal Glória de Campeão, filho de Impression (ARG) e Audacity, criação do Haras Santarém.
RL: Qual foi e qual é o melhor jóquei da atualidade?
AMC: No passado foram muitos..., mas ao meu ver, o G.Menezes e o A.Barroso. Já hoje, gosto do C.Lavor e do M.Almeida, mas o grande nome é sem dúvida o de J.Ricardo.
RL: Qual foi ou é seu maior xodó (cavalo ou égua)?
AMC: São atualmente o Retrato Falado e o Araça Cotton.
RL: Quais são seus maiores desejos no turfe?
AMC: Ver um turfe brasileiro forte, consolidado e auto suficiente, e, esperando que as entidades ligadas ao turfe possam fomentar ainda mais a criação e a propriedade do PSI no Brasil.
RL: Para o senhor, o que realmente movimenta o turfe atualmente, paixão, tradição ou dinheiro?
AMC: Acho que inicialmente a paixão pelos animais e pelo esporte, seguidos pela tradição. Mas é óbvio que sem dinheiro as coisas não se movimentam, não se estabilizam e não há crescimento, ou seja, de tudo um pouco.
RL: Para finalizar, Quais são suas expectativas para o futuro do turfe no Brasil?
AMC: Minhas expectativas são as boas, analiso desta forma observando o movimento da economia brasileira, mas para que possamos ver um turfe brasileiro forte, consolidado e auto suficiente, somente conseguiremos esse feito através do fomento à criação do PSI no Brasil e a consequente entrada de novos proprietários do PSI, bem como, de projetos para a manutenção dos atuais, estes sim, entusiastas e verdadeiros turfistas brasileiros.
Tendo em vista somente aos escândalos políticos que tomam conta dos noticiários turfísticos atualmente, o verdadeiro turfista, como o Sr. Artemar de Castro, não desanima nem sequer deixa de amar ou se deliciar com as alegrias que o esporte o proporciona, e sim, acredita que haverão sempre obstáculos, diante das vitórias e glórias do esporte dos reis.
por Eluan Turino