Elio Gaspari, do O Globo, publica nota sobre notas fiscais no JCB 16/01/2011 - 13h27min
O colunista Elio Gaspari, do jornal O Globo, publicou uma nota hoje, domingo, sobre todo o caso das Notas Fiscais emitidas pela Codere para o Jockey Club Brasileiro, e a denúncia dos sócios.
Veja a nota na íntegra:
’Caliente’ frio
Depois da saída da Odebrecht do projeto de construção de uma vila comercial no lugar das cocheiras e da vila hípica, nova confusão no Jockey do Rio. A juíza Priscila David, do 4º Juizado Especial Criminal do Rio de Janeiro, mandou ao Ministério Público uma denúncia dos sócios do clube contra seus administradores e o grupo espanhol Codere. Desde 2005, a Codere administrava as apostas do prado em troca de um percentual sobre seu volume. Havia ainda a expectativa de que, um dia, pudesse explorar também máquinas de caça–níqueis.
No dia 4 de março de 2010, o gerente de contabilidade do clube foi guardar seu laptop numa gaveta que pertencera ao controlador de administração e finanças, e encontrou um maço de notas fiscais emitidas pela Codere por “serviços prestados em gestão de apostas internacionais, através do provedor ‘Caliente’”.
Procurou os registros desses pagamentos e nada achou, “porque inexiste a prestação de tais serviços”. Preocupado com o valor das notas e com os impostos que deveriam ter sido pagos, escreveu uma carta ao superintendente–geral do clube e contou o caso.
O Jockey reconheceu ter recebido as notas fiscais, mas garante que nada pagou, até porque a cobrança seria imprópria. Nesse caso, as notas teriam sido frias.
O valor dos hipotéticos serviços do “Caliente” estaria na casa das dezenas de milhões de reais.
O MP talvez descubra por que as notas fiscais foram emitidas e como foram parar na gaveta do controlador de administração e finanças do clube.
Nota transcrita da coluna de Elio Gaspari do Jornal O Globo de 16 de Janeiro de 2011. (Pág.12) |