Em época de Copa do
Mundo, acho que esta é a expressão adequada para definir o que foi feito pelo JCB em relação ao
próximo final de semana. Em outras épocas, seria outra.
Vamos aos fatos: O GP Brasil é
disputado no primeiro domingo de agosto desde a sua primeira versão, em 1933. O GP São Paulo era disputado no
primeiro domingo de maio também desde que foi criado, até o dia em que se decidiu mudar a data, devido ao
feriado de 1° de maio, que transformava, às vezes, o sábado e o domingo em um final de semana prolongado,
prejudicando o comparecimento do público. A efetiva mudança para o 3° domingo de maio (saltando o 2° domingo, para
evitar a concorrência com o Dia das Mães) ocorreu num fatídico 1° de maio (naquele ano caiu no domingo) em
que, pela manhã, todos os brasileiros assistiram pela TV a morte de Ayrton Senna, um dos nossos maiores ídolos. O
episódio acabou sendo a "gota d’água" para a mudança do 1° para o 3° domingo de maio, já no ano
seguinte. Aquele foi o GP São Paulo mais triste que presenciei. O clima nas arquibancadas e o sentimento do
público eram de "velório".
Mas, foi em 1994, há 12 anos. Sempre, quando há o grande dia de
uma entidade turfística (GP Brasil ou GP São Paulo), a outra só programava provas comuns, tanto no sábado quanto
no domingo, a fim de facillitar que os melhores jóqueis de um hipódromo fossem à festa do outro.
E o
que fez o JCB este ano? Programou um GP importante, pois, além de ser uma prova de Gr.2, irá definir a líder
feminina da atual geração de 2 anos, para (pasmem !) o domingo do GP São Paulo. Note–se que a Programação Clássica
é feita antes do término do ano calendário anterior, isto é, fica pronta, normalmente, em dezembro.
Sempre houve respeito não só com a grande festa do clube coirmão (programando–se, aqui, páreos comuns),
como também aos proprietários, já que os mesmos não poderão contar com alguns dos melhores jóqueis em suas
defensoras por estarem eles com compromissos de montaria nas principais provas de Cidade Jardim.
Conclusão: sejam quais forem as explicações apresentadas, já que todos turfistas sabem, com bastante
antecedência, que o GP São Paulo é no 3° domingo de maio, e mesmo que ele fosse corrido este ano no sábado, não
justificaria a "pisada na bola". O fato é que existem diversos GPs importantes no final de semana de uma
grande festa, recomendando o bom senso, portanto, que apenas páreos comuns sejam programados, tanto no
sábado quanto no domingo, na entidade que não promove a festa máxima.
Fica a lição para os
próximos anos.
Mas, certamente, a comunidade turfística brasileira lamenta, e muito, o
ocorrido.
por José Carlos Fragoso Pires Júnior