O jóquei catarinense, Rafael Schistl, 22 anos, desembarcou ontem aqui no Rio de Janeiro, e trouxe na bagagem enorme sucesso no exterior, mais precisamente na Europa, aonde foi destaque nos países escandinavos, Suécia, Noruega e Dinamarca, nos últimos três anos. Ex–aluno da Escola de Aprendizes da Gávea, Schistl escolheu o turfe carioca para retomar, pelo menos nos próximos cinco meses, a sua carreira profissional no Brasil. Otimista, ele admite que o frio intenso, foi o principal motivo da sua volta.

Rafael montado na gelada Suécia
“Não agüentava mais aquela geleira. Na Escandinávia existem seis hipódromos, os três principais ficam em Oslo, capital da Noruega, e Estocolmo e Copenhague, também capitais da Suécia e Dinamarca, respectivamente. Todos eles estavam com temperatura por volta de zero grau. Espero me readaptar ao turfe brasileiro e ficar por aqui definitivamente. Só pretendo ir para lá por ocasião da disputa do Derby. Mas, em abril, se as coisas por aqui não estiverem bem, volto à Suécia, onde fui eleito o jóquei do ano, em 2.008”, conta.

R.Schistl ganhando Grupo III com Calrissian
Rafael Schistl começou a montar aos 13 anos, em Itajaí, sua terra natal. Perambulou por quase todas as canchas– retas do interior de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Em 2.005, com 16 anos, foi para a Escola de Aprendizes do Paraná e de lá veio para a Gávea, onde ficou até o final de 2.006. Transferiu–se para São Paulo em 2.007, mas acabou por decidir tentar a sorte fora do país, em 2.008. Começou sua aventura no exterior em Dubai. Por lá ficou quatro meses na companhia do treinador Ricardo Colombo. Logo em seguida aconteceria a mudança de rota que proporcionou uma bela guinada em sua vida profissional.
“Comecei a montar na Noruega e consegui ganhar espaço nos primeiros seis meses. Fui convidado então para montar de forma simultânea na Suécia e na Dinamarca. Passei a residir em Malmo, na Suécia, e lá consegui vitórias importantes. Ganhei a Pramns Listed, em 2.009, na raia de areia, e acabei por ganhar também a estatística de jóqueis. Nesta mesma temporada de 2.009 ganhei o Derby da Suécia e o da Dinamarca. Desde o início as maiores dificuldades foram o frio e a língua, mas consegui me virar bem”, conta.

Schistl e Sir Henry, vencedores do Derby na Dinamarca
Com saudade da mãe, Norma, e também da avó, Albertina, Schistl viaja hoje para o Paraná para revê–las depois de três anos de distância, em que se falaram por telefone ou pela internet. O jóquei brasileiro admite ter tido mais facilidade quando montou em Cidade Jardim do que na Gávea, mas explica com precisão as razões de sua opção pelo Rio de Janeiro.
“O ritmo de corrida de São Paulo, mais cadenciado, me agrada bastante. Mas eu encaro como desafio ter um bom desempenho na Gávea. No meu tempo de aprendiz o time de jóqueis era espetacular com o Jorge Ricardo e o Alex Mota. Entre os aprendizes o A.C.Silva destacava–se como jóquei do Haras Santa Maria de Araras. Além disso, eu era muito leve e nem conseguia me equilibrar direito nos cavalos. Agora eu volto com experiência e bagagem no meu currículo. Respeito os colegas, mas pretendo conquistar o meu espaço”, promete.

Rafael montando na Dinamarca
O agente de montarias de Rafael Schistl, Hélio Martins da Cruz Neto, o popular Helinho, também confia cegamente no sucesso do piloto. E tanto é assim que se transferiu de São Paulo, aonde foi agente do campeão da estatística de jóqueis, Waldomiro Blandi, e da joqueta mais bem sucedida, Jeane Alves, para acompanhar o chamado “Príncipe da Escandinávia”. “Apostei todas as minhas fichas no Rafael. Estudei o seu currículo com atenção e vi todos os filmes das provas clássicas vencidas por ele. É um jóquei maduro apesar da pouca idade e pode apostar que será um reforço de peso para o quadro de jóqueis do turfe carioca”.
Rafael Schistl está empolgado com a possibilidade de montar para o Stud Estrela Energia, segundo ele, o seu carro chefe nesta temporada aqui na Gávea. “Estou bastante motivado. Vou trabalhar no centro de treinamento para conhecer bem os cavalos e espero retribuir a confiança em mim depositada. Os titulares da coudelaria já me viram montar no exterior e com certeza acreditam que posso repetir o bom desempenho aqui no Brasil”, fala com segurança.