Com 995 vitórias em sua carreira, o jóquei gaúcho Dalto Duarte, 23 anos, natural de Santa Cruz do Sul, campeão da estatística carioca na temporada anterior, está otimista de completar esta semana a marca dos 1.000 triunfos. Para isso ele torce pela pista de grama, raia onde estão anotadas, segundo ele, as suas melhores montarias. O profissional espera também aproximar–se do atual número um, o aprendiz Henderson Fernandes, e recuperar o domínio do ranking de jóqueis. Feliz da vida com o contrato de segunda montaria com o Stud Alvarenga, Dalto, que é contratado do Haras Regina, está otimista de ainda conquistar o bi–campeonato da estatística.

Dalto Duarte
“Não vou entregar de bandeja um título que me custou muito suor. O garoto monta bem demais, aproveitou a circunstância da descarga favorável e mostrou competência para assumir o topo da estatística. Mas esta diferença de pouco mais de 20 vitórias pode ser tirada. Tenho trabalhado três dias da semana nos centros de treinamento e na sexta ou sábado na Gávea. O meu peso estabilizou e vou lutar bastante”, promete.
Dalto reconhece que o resultado avassalador de Henderson Fernandes às vezes chega a assustar. Por outro lado, admite que quando as coisas ficam fáceis tem a tendência a relaxar. Por isso, considera benéfico para sua carreira o fantástico desempenho do oponente. “A motivação agora é outra. Eu sei que se não caprichar no trabalho e no condicionamento físico não vou ter chance de superá–lo. Este esforço maior só tem me feito bem”, analisa.

Dalto Duarte e Moryba no GP Brasil 2010
Os contratos com duas coudelarias importantes envaidecem Dalto. O jóquei está muito confiante para a segunda metade da temporada hípica. Ele acha que o fato da maioria dos potros do Stud Alvarenga ter precocidade, enquanto os potros do Haras Regina, em geral, são tardios, vai facilitar a sua vida profissional. “Quase sempre os potros do Stud Alvarenga ganham os primeiros páreos do ano. No Haras Regina as coisas são diferentes. A maior preocupação é com animais para distâncias de fundo e, por isso, custam a estrear, e raramente são inscritos nas provas iniciais”, explica.
O resultado extraordinário dos aprendizes cariocas é explicado por Dalto. Segundo ele, trata–se de uma safra de ótimos valores. Ele descarta a teoria que atribui apenas a pouca dedicação e a acomodação dos jóqueis mais experientes o sucesso dos jovens valores. “A garotada é muito boa. É claro que o Fernandes é o principal destaque, mas este Vagner Borges leva muito jeito e monta desde menino em vários lugares diferentes. Eles são os mais badalados, mas tem outros garotos bons. O C.Henrique só faz melhorar e este A.M.Silva é ótimo aprendiz, mas tem aquele jeito calado, muito quieto, que os cariocas custam a se acostumar. Eu também era assim e demorei a engrenar, reconhece”.

Dalto e Olympic Election na "Milha
Interncional" em 2009
Solteiro convicto, embora admita ser namorador, Dalto não faz planos para o futuro. No momento se diz focado em ganhar a estatística e manter esta posição por quanto tempo for possível. Admite ter o desejo de um dia montar no exterior, talvez um curto espaço de tempo, sem se radicar em outro país, como foi o caso do seu tio Luiz Duarte, que ficou na China por três anos. “Minha cabeça está aqui no Brasil. Daqui a alguns anos, quem sabe, a gente faz uma aventura mundo afora”, brinca.
por Paulo Gama