Jorge Antônio Ricardo, o melhor jóquei brasileiro de todos os tempos, mostrou–se surpreso ao saber que um aprendiz de primeira categoria havia igualado dois recordes dele na mesma semana. O fantástico resultado de Henderson Fernandes, com sete vitórias na mesma programação, e 16 triunfos num conjunto de programas, despertou o interesse do campeão. Ricardo quis saber detalhes sobre o seu possível sucessor. Perguntou sobre a idade, a família, o seu temperamento e até surpreendeu ao declarar que acredita em novos recordes do garoto.

Ricardinho após vencer clássico em La Plata
“Já haviam me falado maravilhas deste menino. E se ele tem todo este talento que dizem pode arregaçar a parceirada. Só precisa continuar humilde, não deixar o sucesso subir à cabeça, trabalhar com motivação, respeitar os colegas de profissão e nunca se acomodar. Chegar ao topo é muito difícil, mas se manter lá é bem mais trabalhoso”, aconselha com a autoridade de quem possui quase 11.000 vitórias e luta de forma incansável pelo título mundial.
Jorge Ricardo não se mostrou aborrecido por ter seus recordes igualados. Pelo contrário, lamentou não ter tempo para ver Henderson Fernandes montar. Considera fundamental ele aproveitar o bom momento e deslanchar de vez na profissão. ”Os jóqueis do turfe carioca na atualidade têm pouco profissionalismo. O pelotão de frente está acomodado e não cuida do peso. Eu estive doente no ano passado e numa das minhas visitas à Gávea constatei que parado, sem atuar, eu estava mais leve do que o líder da estatística. Para mim isto é sinônimo de relaxamento. A maioria se contenta com pouco. Não possuem ambição e nem vislumbram outros horizontes”, filosofa o campeão.

H.Fernandes e Palurape: uma parceria que promete
Ricardinho faz questão de ressaltar que existe uma distância enorme entre os jóqueis que enfrentou no período em que começou e o time atual da Gávea. Na idade de Henderson Fernandes teve que encarar Gabriel Meneses, Juvenal Machado da Silva, Gonçalino Feijó de Almeida, Francisco Esteves, Francisco Pereira Filho, Jorge Pinto e Edson Ferreira, entre outros citados por ele. Ricardo afirma, entretanto, que isso em nada desmerece o momento espetacular do atual líder carioca.
“Ganhar mais de 100 corridas em pouco mais de três meses é uma média de campeão. Não importa o pouco interesse dos concorrentes. Se os outros jóqueis não se importam com a forma física e nem ligam para este massacre imposto por um aprendiz o problema não é dele. O garoto só precisa continuar focado na raia e tratar bem as pessoas fora dela. Se souber aproveitar o embalo pode até superar estes meus recordes que agora igualou”, aconselha Jorge Ricardo, cada vez mais próximo de recuperar o recorde mundial de vitórias de Russel Baze. A distância entre eles até hoje de manhã é de 97 vitórias. Mais tarde, em San Isidro, Ricardinho espera se aproximar ainda mais do canadense.
por Paulo Gama